EUA querem acesso a minerais estratégicos do Brasil
- Vilmar Bueno, o ESPETO

- 25 de jul. de 2025
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Nacional
Além da impunidade de Jair Bolsonaro e da ausência de regras para as big techs, os Estados Unidos estão interessados nas reservas brasileiras de terras raras e outros minerais críticos para a transição energética. Em reunião com empresários brasileiros do setor de mineração, o encarregado de negócios da embaixada americana no Brasil, Gabriel Escobar, afirmou que os EUA têm interesse no potencial de exploração desses minerais no país. Escobar também disse que seu país acompanha atentamente a elaboração da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sob a responsabilidade do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Silva. Embora Escobar não tenha condicionado explicitamente o interesse americano nos minerais estratégicos à retirada das tarifas, empresários brasileiros entenderam que o tema pode ser relevante para a retomada das negociações. (Globo)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu e afirmou que “ninguém põe a mão” nos minerais estratégicos brasileiros. “Temos todos os minerais ricos que vocês querem proteger. Este país é do povo brasileiro”, disse o presidente, em discurso durante um evento no Vale do Jequitinhonha, novo polo de produção de lítio no país. (g1)
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin manteve conversas reservadas com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, nos últimos dias, em uma primeira sinalização de que o governo americano pode estar disposto a negociar o tarifaço imposto por Donald Trump. Segundo Alckmin, foi a primeira vez que o diálogo saiu do “perde-perde” e passou para um cenário de “ganha-ganha”. De acordo com o vice-presidente, os dois discutiram a ampliação das relações comerciais e a possibilidade de um acordo de bitributação entre Brasil e EUA. No entanto, Alckmin evitou comentar se as reservas brasileiras de terras raras foram incluídas na conversa. (Estadão)
Enquanto o acordo não chega, o Brasil se prepara para a entrada em vigor do tarifaço americano. Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a equipe técnica do governo já finalizou o plano de contingência para lidar com os impactos das tarifas. Haddad não revelou detalhes sobre o conteúdo do plano, mas disse que a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Folha)
Duas pesquisas divulgadas na quinta-feira pelo Ipespe confirmam o efeito positivo do tarifaço sobre a imagem do governo brasileiro. Entre maio e julho, a aprovação de Lula subiu de 40% para 43%, e a reprovação caiu de 54% para 51%, além da margem de erro de 2 pontos. Já a ação dos EUA é reprovada por 61% e aprovada por 35%, com a aprovação concentrada (81%) entre os entrevistados que se declaram de direita. (Meio)
O general Mário Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro, confessou ter sido o autor do plano que pretendia assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Batizado de operação “Punhal Verde e Amarelo”, o plano previa que soldados das forças especiais do Exército, conhecidos como “Kids Pretos”, executassem a missão. A Polícia Federal descobriu que alguns agentes chegaram a ir a campo decididos a executar a operação, que acabou sendo abortada. (CNN Brasil)
Mário Fernandes fez a confissão em depoimento ao STF nesta quinta-feira. O general confirmou que imprimiu o plano, mas afirmou que fez isso apenas por costume pessoal, já que não gosta de ler textos em telas. De acordo com ele, após ser impresso, o plano não foi compartilhado com ninguém. Fernandes disse que destruiu a impressão sem mostrá-la a ninguém e classificou sua elaboração como “pensamentos digitalizados”. (g1)
A investigação da Polícia Federal apontou que ao menos três cópias do plano foram impressas no Palácio do Planalto e que, logo em seguida, Mário Fernandes teria ido para o Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente da República. O general confirmou que usou uma impressora em seu gabinete, mas negou ter compartilhado as cópias com qualquer pessoa. “Eu acredito que não seja o único funcionário público que faça isso eventualmente. Imprimi porque estava ali”, disse ele. (Estadão)
Enquanto no campo econômico aparecem os primeiros sinais de distensão nas relações entre Estados Unidos e Brasil, na esfera política as tensões só fazem crescer. Na quinta-feira, o subsecretário de Donald Trump, Darren Beattie, fez críticas duras ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o principal alvo dos americanos neste momento. Em uma publicação no X, o antigo Twitter, Beattie disse que Moraes é o “coração pulsante do complexo de perseguição e censura a Jair Bolsonaro”. A publicação foi traduzida para o português e republicada pela Embaixada americana no Brasil. (Globo)
A publicação de Beattie veio após o ministro Alexandre de Moraes descartar a prisão de Jair Bolsonaro, mas lembrar ao ex-presidente que, se ele descumprir a medida cautelar mais uma vez, será encarcerado. Moraes aceitou a alegação da defesa de Bolsonaro de que ele não sabia que não poderia dar entrevistas e de que o ex-presidente está respeitando as restrições impostas pelo STF. (Metrópoles)



