Meio/Ideia: Flávio Bolsonaro não se recupera e Lula consolida vantagem
- Vilmar Bueno, o ESPETO

- 8 de jul.
- 4 min de leitura

Fotos: Laurent Gillieron/POOL/AFP e Nelson Almeida/AFP
A pesquisa Meio/Ideia divulgada agora há pouco mostra estabilidade na disputa presidencial às vésperas das convenções partidárias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem sobre o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno, preservando o cenário registrado desde a divulgação do caso Dark Horse. Segundo o levantamento, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Flávio. Outros 10,5% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou nulo, enquanto 4,5% disseram não saber em quem votar. Na comparação com a pesquisa anterior, divulgada em 28 de maio, os dois candidatos oscilaram dentro da margem de erro, de 2,5 pontos. Lula passou de 46,5% para 45%, enquanto Flávio variou de 41,4% para 40%, indicando manutenção do quadro eleitoral. (Meio)
Confira a íntegra da pesquisa Meio/Ideia. (Meio)
A pesquisa também simulou outros cenários de segundo turno. O presidente Lula mantém os mesmos 45% das intenções de voto em todas as hipóteses testadas, enquanto o desempenho varia entre os possíveis adversários. Ronaldo Caiado aparece com 37,6% das intenções de voto; seguido por Romeu Zema, com 37%, e Michelle Bolsonaro, com 36%. Renan Santos tem 33%, enquanto Joaquim Barbosa registra 23%, no cenário em que o presidente abre sua maior vantagem. (Meio)
Apesar da estabilidade no cenário geral, os dados revelam diferenças relevantes entre os segmentos do eleitorado. Flávio lidera entre os homens, com 46,3% das intenções de voto, ante 39,2% de Lula. Entre as mulheres, o cenário se inverte: o presidente abre vantagem de mais de 16 pontos percentuais, com 50,4%, contra 34,2% do senador. Flávio aparece à frente entre os eleitores mais jovens, com 45,7% das intenções de voto na faixa de 16 a 24 anos, contra 33,3% de Lula. O senador também lidera entre os entrevistados de 25 a 34 anos. Lula passa a liderar entre os eleitores com 35 anos ou mais e registra seu melhor desempenho na faixa de 45 a 59 anos. O levantamento também mostra diferenças expressivas conforme a renda dos eleitores. Lula tem ampla vantagem entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo, com 58,8% das intenções de voto, contra 28,4% de Flávio. Já o senador assume a dianteira na faixa de um a três salários mínimos e amplia a vantagem entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos. (Meio)
Mais cruzamentos de dados desta rodada e das anteriores da pesquisa Meio/Ideia estão disponíveis para assinantes premium na nova plataforma interativa em nosso site. (Meio)
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve sua influência política medida após ganhar protagonismo nas últimas semanas. Em uma pergunta espontânea sobre quem é hoje a mulher mais poderosa do Brasil, Michelle foi a resposta de 15,4% dos entrevistados. Na sequência aparecem a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, com 9%, e a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, com 4,5%. A ex-presidente Dilma Rousseff foi lembrada por 2,5% dos entrevistados, enquanto a ministra Simone Tebet registrou 2%. (Meio)
Cila Schulman e Mauricio Moura contam como Michele saiu do papel de uma primeira-dama discreta para se transformar na mulher mais poderosa do Brasil em apenas três anos. (Meio)
Entender como Michelle construiu seu capital político e sua autonomia feminina ao mesmo tempo em que navega nos valores religiosos da submissão pode parecer impossível para quem não convive com a gramática evangélica brasileira. Mas Deborah Bizarria, economista e colunista do Central Meio, traduz as ambiguidades e explica o movimento das mulheres conservadoras que desafiam o bolsonarismo no Meio Político desta semana, que chega exclusivamente para assinantes premium a partir das 11h. Assine o Meio e confira!
O senador e pré-candidato do PL à Presidência da República Flávio Bolsonaro (RJ) adotou um tom político eleitoral em sua fala na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o novo tarifaço que os EUA pretendem adotar contra produtos brasileiros. Ao contrário de entidades americanas e brasileiras, que marcaram suas participações por discussões estritamente técnicas, Flávio focou seus argumentos nas eleições brasileiras de outubro. De acordo com ele, uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros teria efeito político favorável ao presidente Lula. (Folha)
O governo, por sua vez, acusou Flávio de agir contra os interesses do país após sua participação na audiência USTR sobre o tarifaço. Por nota, o Palácio do Planalto afirma que “divergir do governo é legítimo”, mas sustenta que recorrer a uma potência estrangeira para pressionar o Brasil configura “traição à Pátria”. Segundo a nota, há uma diferença entre fazer oposição ao governo e atuar contra os interesses nacionais. (g1)
Presente na audiência, o economista Gustavo Pessoa, professor da FGV, contou no Central Meio os bastidores da participação de Flávio e do momento em que o senador se atrapalhou para responder as perguntas dos representantes norte-americanos. (Meio)
Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro mantém as negociações com autoridades dos EUA para tentar evitar a adoção das tarifas. Márcio Elias Rosa descartou, porém, qualquer possibilidade de o governo negociar a redução da tarifa brasileira incidente sobre o etanol importado dos Estados Unidos. (g1)
Os Estados Unidos, aliás, nunca tiveram participação tão baixa no comércio exterior brasileiro quanto no primeiro semestre de 2026, respondendo por apenas 9,4% das exportações e 11,1% da corrente de comércio total. O comércio bilateral diminuiu 12,8% na comparação anual, para US$ 36,4 bilhões, com os produtos sobretaxados por Trump caindo 16,6%. (Estadão)
O clima voltou a esquentar entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o governo em torno da votação do fim da escala 6x1, já aprovada com folga na Câmara dos Deputados. Alcolumbre reagiu às declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que ameaçou tratar o senador como “inimigo dos trabalhadores” caso a proposta de emenda à Constituição não seja encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até a próxima semana. Em nota, Alcolumbre afirmou que não aceitará “ameaças ou tentativas de intimidação”. (Folha)



