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Camilo Martins e Ana Campagnolo irão comandar a Alesc no próximos dois anos

Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
Vilmar Bueno, o ESPETO
há 2 minutos
3 min de leitura

O jogo bateu na Assembleia Legislativa. A composição do PL com Camilo Martins e Ana Campagnolo dividindo o comando do parlamento estadual nos próximos dois anos já conta com o apoio de 27 dos 40 deputados estaduais e o endosso do governador Jorginho Mello (PL). Pela primeira vez desde a primeira Onda Bolsonaro, um governador terá um colega de partido no comando do Poder Legislativo.


Isso pesa. A última vez que aconteceu foi em 2018, quando Eduardo Pinho Moreira (MDB) assumiu o governo pela renúncia de Raimundo Colombo (PSD) e Aldo Schneider (MDB) chegou ao posto na divisão de mandato com Joares Ponticelli (PP). Um contexto de pouco peso político, considerando a grave situação de saúde do parlamentar, que enfrentava um câncer e morreria no cargo de presidente em agosto daquele ano.


O momento que a Alesc vai viver a partir de fevereiro de 2027 guarda mais similaridade com o ano de 2015. Na época, Colombo reassumia o mandato após a vitória em primeiro turno e o parlamento estadual voltava ao comando do então deputado estadual Gelson Merisio (no PSD), que já havia exercido a presidência por duas vezes (a primeira, em divisão de mandato com Jorginho). Foi o auge do poder político dos pessedistas, o que resultou na aprovação de uma reforma previdenciária de peso e de um polêmico plano de carreira para o magistério. 


Jorginho reeleito terá em Camilo Martins esse elo que não teve nos quatro primeiros anos de mandato, quando a coalizão liderada por MDB e PSD isolou o PL nas articulações e garantiu as vitórias de Mauro de Nadal (MDB) e Júlio Garcia (PSD), atual presidente. Mesmo que o governador não tenha enfrentado dificuldades para aprovar projetos no Legislativo, o comando da Casa era a vitória que faltava.


Desta vez, a matemática das urnas se impôs às conversas de bastidor. Com Jorginho Mello reeleito com quase 70% dos votos em primeiro turno e os partidos aliados (PL, Republicanos, Podemos e Novo) largando com 22 das 40 cadeiras do parlamento estadual, era impossível driblar o governador – sequer foi tentado. Com 16 deputados estaduais do PL, a presidência ficar com o partido era praticamente inevitável. 


A única forma de construir outro resultado era apostar nas costumeiras divisões internas do partido. Aliás, quase nunca se perde dinheiro apostando na divisão interna do PL. Foi nesse contexto que muitos apostaram que o deputado estadual Fernando Krelling (MDB) poderia ser uma solução palatável à maioria da Casa e ao próprio governador, que poderia retribuir a lealdade do emedebista que se recusou a apoiar a coligação do MDB com o PSD de João Rodrigues na disputa pelo governo. 


O cenário estava se desenhando nesse sentido porque Camilo Martins e Ana Campagnolo pareciam se encaminhar para um enfrentamento. O ex-prefeito de Palhoça tinha mais apoio na bancada do PL, enquanto a recordista de votos amealhava simpatizantes fora da legenda para uma composição de divisão de mandato com Krelling. 


Na terça-feira, veio a mudança de rumo. A bancada do PL se reuniu pela manhã e acertou a composição entre Camilo e Ana Campagnolo, que deve ficar com os seis meses finais do mandato. Ficou claro para o grupo que manter o enfrentamento poderia deixar o PL fora do comando da Alesc mais uma vez. Essa foi a sobremesa levada a Jorginho no churrasco oferecido por ele à bancada naquela mesma noite. 


O governador deu aval ao movimento e com esse aval avançaram as conversas com os demais partidos na quarta-feira. Uma conversa delicada, porque envolve conceder a presidência e a primeira vice-presidência ao mesmo partido, com a eleição de Camilo e Ana Campagnolo. No entanto, o apoio de Jorginho foi decisivo. Camilo conseguiu largar com os 22 votos da base governista e trazer outros cinco nomes para bater o jogo: Fernando Krelling (MDB), Jerry Comper (MDB), Pepê Collaço (PP), Vicente Caropreso (União) e Rodrigo Minotto (PDT). 


Nos próximos dias serão realizadas as conversas com os demais partidos para composição da Mesa Diretora e das comissões temáticas. Conversei com Camilo Martins na noite de quinta-feira e ele garantiu que seu período à frente do parlamento estadual vai garantir a “independência da Casa e a harmonia entre os Poderes”e que serão respeitadas as proporções das bancadas partidárias, incluindo as esquerdas, mas fez questão de ressaltar o papel fundamental do governador na construção de sua maioria.


Perguntei se o alinhamento de astros que coloca um governador recém-reeleito e um colega de partido na presidência do Poder Legislativo, como em 2015, leva ao horizonte reformas estruturais no Estado como aconteceram naquele biênio de Colombo/Merisio. O futuro presidente respondeu assim:

– Não tem nada no horizonte. Mas tudo que o governador trouxer e for bom para Santa Catarina, vamos dar todo nosso apoio. 

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