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Prazo para convenções partidárias começa com pouca margem para incertezas em SC

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • 20 de jul.
  • 4 min de leitura

Talvez seja porque o governador Jorginho Mello (PL) aplicou o velho lema “vamo que vamo” na composição de sua chapa majoritária para disputa da reeleição, definida logo no final de janeiro; talvez seja porque o ritmo da política em tempos de redes sociais seja incompatível com longas maturações de articulações; talvez seja porque o encurtamento do período eleitoral por legislações recentes apresse a necessidade de transformar pré-candidatos em candidatos o quanto antes; talvez seja uma soma de todos os fatores.

Certo é que Santa Catarina inicia nesta segunda-feira o período reservado às convenções partidárias de uma forma diferente do que em outras eleições estaduais. Não haverá, desta vez, aquele jogo de pressões que tantas vezes levou a decisão de quem seria candidato a governador, a vice ou a senador para além do prazo legal – 5 de agosto no atual calendário eleitoral. Se antes a regra era marcar as convenções para o último ou o penúltimo dia e, eventualmente, delegar à direção do partido os últimos ajustes para ganhar mais uns dias de prazo, desta vez teremos tudo resolvido já em 1º de agosto.

Convenções: Merisio e candidatos da esquerda serão definidos nesta terça

O grupo de partidos que apoia a reeleição do presidente Lula (PT) vai resolver tudo logo nesta terça-feira, quando eventos simultâneos do PSB, do PDT, do PSOL e da federação que reúne PT, PCdoB e PV vão oficializar as candidaturas de Gelson Merisio (PSB) ao governo, com Angela Albino (PDT) na vaga de vice, Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) ao Senado. Ao final, a chapa se reúne para o primeiro ato da coligação. O encontro será realizado a partir das 19 horas, na Assembleia Legislativa.

É a chapa apresentada em abril, quando Merisio apresentou-se como pré-candidato ao governo para liderar o palanque de Lula no Estado e liberar Décio Lima, que disputou em 2018 e 2022, para tentar surpreender na disputa pelo Senado que deve ser marcada pela fragmentação das candidaturas à direita.

Os demais blocos políticos da disputa pelo poder em Santa Catarina também têm data e locais definidos para a formalização. As coligações que vão amparar o governador Jorginho Mello (PL) e o ex-prefeito chapecoense João Rodrigues (PSD) serão realizadas no dia 1º de agosto – a primeira na Arena Opus, em São José, a segunda na Assembleia Legislativa.

Convenções: Jorginho e João Rodrigues escolhem a mesma data

Jorginho deve fazer uma festa aos moldes da recepção feita ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no início de maio – na época também foi escolhida uma casa de espetáculos, a Stage Music Park. Fazem parte da festa, além do PL do governador, o Novo, o Republicanos, o Podemos e o PSDB. Dá lá, sairá a chapa com Jorginho na cabeça, o ex-prefeito joinvilense Adriano Silva (Novo) de vice e dois nomes do PL para a disputa pelo Senado: Carlos Bolsonaro e Carol de Toni.

A 18 quilômetros dali, no parlamento estadual, João Rodrigues vai confirmar sua coligação e seu time majoritário. Não é segredo para ninguém que terá Carlos Chiodini (MDB) como vice e a dupla Antidio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (PP) para o Senado. O que desperta curiosidade ainda é o que podem dizer ou fazer na convenção as lideranças emedebistas e pepistas que defendem o apoio à reeleição de Jorginho.

Convenções: MDB e PP ainda despertam curiosidade

Não que haja muita margem. Desde que Antídio Lunelli foi incluído na chapa majoritária, o clima no MDB é de jogo jogado. Na entrevista que me concedeu semana passada no podcast SCC Upiara, o deputado estadual Fernando Krelling (MDB) antecipou que não será apresentada divergência aos convencionaria – a aliança com João Rodrigues em troca das vagas de vice, de senador e mais duas suplências de Amin será única na cédula de votação.

Os dissidentes vão tentar, e devem conseguir, garantir que não sejam punidos por pedirem votos para a reeleição do governador. Pode ser, para usar uma expressão cara ao ex-presidente Michel Temer (MDB), uma ponte para o futuro.

No PP, as lideranças que querem ficar com Jorginho teriam peso para ganhar uma convenção, mas têm sua liberdade de movimentos tolhida pela federação acertada nacionalmente com o União Brasil, fechado em Santa Catarina com João Rodrigues. A decisão final é de um colegiado menor, dos dois partidos, onde o encaminhamento com o PSD está garantido.

No entanto, para garantir o engajamento – e não apenas o voto – de prefeitos e outras lideranças pepistas à reeleição de Amin no Senado, as conversas dos últimos dias tem sido no sentido de distensionar o racha interno do partido. Assim, o senador ficaria com o CNPJ da legenda, para poder firmar a aliança que lhe garante suplentes emedebistas e mais tempo no horário eleitoral que os adversários do PL, enquanto os CPF seriam liberados para atuar como bem entendessem.

Convenções: 2022 e 2010 entraram para a história com dúvidas até o fim

Para quem viu outros períodos de convenções em Santa Catarina, é são mínimas as pontas soltas a amarrar. Em 2018, por exemplo, o prazo das convenções partidárias se encerrou como cinco candidatos confirmados, em tese, para a disputa pelos principais partidos do Estado: Décio Lima (PT), Gelson Merisio (PSD), Esperidião Amin (PP), Mauro Mariani (MDB) e Paulo Bauer (PSDB). Todos voltaram para a mesa e, assim, Amin foi para a chapa de Merisio e Bauer para a chapa de Mariani, ambos concorrendo ao Senado.

Bom para Amin, eleito. Os demais, naufragaram para a primeira Onda Bolsonaro, que catapultou o desconhecido Carlos Moisés (PSL) ao governo e ajudou Jorginho Mello a superar o senador Paulo Bauer, o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e cometa Lucas Esmeraldino (PSL). O resto é história.

Em 2010, o cenário foi semelhante. Escolhido pelo PMDB em pré-convenção, Eduardo Pinho Moreira aceitou ser vice de Colombo (ainda no DEM) em um movimento que fez Leonel Pavan (pelo PSDB) desistir de tentar disputar o governo mesmo com a caneta de governador não mão – arquiteto da composição, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) havia renunciado para concorrer ao Senado.

O resgate poderia ir além. Aparente, a era das incertezas e lances de última hora na definição das chapas ficou para trás. Mas estamos em Santa Catarina. É bom ficar sempre de olho nas atas abertas de convenção até o registro formal das candidaturas.


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