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Política e Agro - Segundou com carne e café e nada de dieta ideológica

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

 

Enquanto alguns insistem na “segunda sem carne”, a Política e Agro começa a semana do jeito certo: com proteína, café de altíssima qualidade e mercado aberto.


Porque no agro, discurso só vale quando vem acompanhado de ciência, sanidade e acesso a mercado. E foi exatamente isso que dominou o tabuleiro nos últimos dias.


Café com ciência: a química do grão virou identidade

Se o café brasileiro quer brilhar lá fora, precisa ir além do aroma. Precisa provar origem, pureza e história bem contada. E é exatamente isso que a Embrapa Rondônia está fazendo ao validar o uso da espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) para o café.


A tecnologia lê a química do grão e transforma essa informação em uma espécie de impressão digital. Em segundos, sem destruir a amostra e sem laboratório, o sistema identifica origem geográfica, terroir e até adulterações – como mistura com milho, soja, casca, borra ou semente de açaí.


O trabalho, desenvolvido ao longo de cinco anos, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), combina NIR com quimiometria, permitindo separar cafés robustas amazônicos, variedades indígenas e conilons do Espírito Santo e da Bahia.

Na prática, é rastreabilidade, certificação e combate à fraude no mesmo pacote – do jeito que o mercado internacional exige e o fiscal aprova.


Beef on Dairy: leite virou carne premium

Outra inovação que junta ciência e mercado vem da pecuária. A Associação Brasileira de Angus, em parceria com a Embrapa, lançou o selo Beef on Dairy, o primeiro do gênero no Brasil.


A certificação identifica carne de alta qualidade produzida a partir do cruzamento de vacas leiteiras Holandesa e Jersey com touros Angus, tendência já consolidada em mercados internacionais. O objetivo é claro: elevar o padrão da carne brasileira e, ao mesmo tempo, diversificar a renda do produtor de leite.


Segundo o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, trata-se de “um casamento perfeito entre raças”. A Embrapa desenvolveu indicadores técnicos rigorosos para selecionar os reprodutores mais adequados, garantindo maciez, rendimento de carcaça e segurança produtiva. Mais qualidade no prato, mais previsibilidade no campo.


Japão, China e novos mercados no radar da proteína animal

No front externo, a carne bovina brasileira pode estar a um passo de um mercado estratégico. Uma missão japonesa oficial deve retornar ao Brasil em março, para avaliar o sistema sanitário da carne bovina.


O Japão é um dos mercados mais exigentes do mundo e paga até 29% a mais por carne premium. Pequeno em volume, gigante em valor agregado.


Enquanto isso, a China tirou o frango gaúcho do castigo. Após meses de embargo por questões sanitárias, o Rio Grande do Sul voltou ao cardápio do maior cliente do estado. A reabertura devolve fluxo, previsibilidade e fôlego à avicultura gaúcha, que vinha redirecionando produção na marra.


O Brasil também comemorou a abertura de mercados no Vietnã e na Arábia Saudita para produtos bovinos. Juntos, os dois países importaram mais de US$ 6,3 bilhões do agro brasileiro em 2025.

Menos dependência de um único comprador e mais diversificação de destino – combinação estratégica.


Europa freia Mercosul e acena com “efeito intimidador”

Nem tudo, porém, anda no mesmo ritmo.

Na União Europeia, deputados enviaram uma resolução ao Tribunal de Justiça questionando o acordo com o Mercosul, alegando riscos à autonomia regulatória e à agenda ambiental.


Segundo os parlamentares, o tratado poderia gerar um “efeito intimidador”, levando a UE a evitar novas regulações por medo de retaliações comerciais. Para especialistas, trata-se menos de sustentabilidade e mais de protecionismo travestido de preocupação ambiental. O resultado prático pode ser atraso de até dois anos na implementação do acordo.


Santa Catarina abre a rota da Carreta Agro pelo Brasil


E fechando com agenda concreta no campo, Santa Catarina será o primeiro estado do país a receber a Carreta Agro pelo Brasil, iniciativa do Sistema CNA/Senar.


A estrutura itinerante vai percorrer quatro feiras no estado, levando tecnologia, inovação e conhecimento aos produtores:

  • Campo Agroacelerador Coperja — Jacinto Machado: 29 a 31 de janeiro

  • Tecnoeste — Concórdia: 10 a 12 de fevereiro

  • Itaipu Rural Show — Pinhalzinho: 18 a 21 de fevereiro

  • Show Tecnológico Copercampos — Campos Novos: 24 a 27 de fevereiro


A carreta apresenta as iniciativas do Sistema CNA/Faesc/Senar e dos sindicatos rurais, com palestras, debates, espaço de imersão, quiz do agro e troca direta com quem vive o campo no dia a dia.

Para o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a presença da Carreta Agro reforça o compromisso com o desenvolvimento do agro catarinense. Já o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, destaca a oportunidade de apresentar, de forma dinâmica, os resultados e impactos do Sistema no meio rural.


Carne, café e mercado aberto

A semana começa mostrando que o agro brasileiro segue fazendo o dever de casa: ciência no café, genética na carne, sanidade na proteína animal e estrada aberta para levar conhecimento ao produtor.

Enquanto o mundo discute dieta ideológica, o campo segue entregando comida, renda e competitividade.


Boa última semana de janeiro, agroamigos.

Aqui, a segunda começa com carne, café e “Chimarrão com a Ketrin” de qualidade.



 

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