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Pesquisa Neokemp aponta leve recuo de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina e Renan Santos beneficiado

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • há 27 minutos
  • 4 min de leitura

Pesquisa feita em Santa Catarina têm cenário estável para o governo e o Senado, mas mostra queda de Flávio Bolsonaro além da margem de erro.


Houve um tempo em que uma dessas legislações que busca supostamente proteger o eleitor dele mesmo proibia a divulgação de pesquisas eleitorais 15 dias antes dos dias de votação. Volta e meia alguém ensaia a defesa da volta desse retrocesso que, na prática, restringe a boa informação aos profissionais da política – que continuam contratando pesquisas – e dá margem a todo tipo de boataria.


Foi nessa época, em 1985, que o jornal Folha de S. Paulo usou charges com os candidatos a prefeito montando cavalos, como jockeys, para tentar informa marotamente seus leitores sobre o cenário eleitoral disputado voto a voto entre Fernando Henrique Cardoso, o favorito, e Jânio Quadros, que acabaria vencendo. Aquela em que FHC se deixou fotografar na cadeira.


Divago, leitor, e estou divagando de propósito porque estou esperando mais um tempo antes de concluir este texto em que quero falar sobre a nova rodada de pesquisas Instituto Neokemp sobre o cenário eleitoral em Santa Catarina para o governo estadual, o Senado e a presidência da República. Vai que alguma liminar proíbe a publicação antes do clique final? Sempre um risco.


Ontem, a pedido do PSD, foi suspensa a rodada semelhante de pesquisas realizada pelo Instituto Mapa. O desembargador eleitoral Jaime Machado Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) acatou o pedido da legenda, que apontou diversas inconsistências no questionário. É o terceiro instituto que é alvo de ação eleitoral dos pessedistas neste período pré-eleitoral: Veritá e Futura foram os anteriores.


Como já são 16h02min desta terça-feira e ainda não chegou ao meu WhatsApp nenhum despacho em arquivo PDF impedindo a divulgação da pesquisa Neokemp, vou suspender o contato com o chargista Galvão Bertazzi e me debruçar sobre os números. Venha comigo, leitor.

A metodologia da pesquisa Neokemp

Antes de mais nada, importante ressaltar que o Instituto Neokemp coleta as entrevistas em um processo telefônico e automatizado. O eleitor recebe um telefonema, mas não fala com um entrevistador. Ele responde digitando no teclado do telefone celular aos comandos oferecidos por uma gravação. Esse modelo foi o mais assertivo em 2022 – talvez por o eleitor pesquisadonão se intimidasse ou tentasse fazer média com o entrevistador. Ao mesmo tempo, esse modelo aumenta o voto foi impulso, emoção.

Em pesquisa, toda nuance conta. No voto, também. Esta será uma eleição de instinto ou de ponderação? Quem souber disso com antecedência, ganha mais do que eu ou você.

O que diz a pesquisa Neokemp para o Senado em Santa Catarina

Ao contrário das pesquisas proibidas, o Neokemp é o único instituto que não tem apresentado um triplo empáte técnico na disputa pelas duas cadeiras do Senado. É Carlos Bolsonaro (PL) em primeiro lugar, Carol de Toni (PL) em segundo e os demais em um distante pelotão.

O Neokemp mostra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderando o primeiro voto com 27,7% e em segundo na outra opção com 19,9%. A deputada federal, ao contrário, é segunda no primeiro voto e primeira no segundo com 21% e 23,7%, respectivamente.

É um cruzamento de votos que garante à dupla do PL os incríveis índices de 47,6% e 44,7%, Carlos em primeiro, Carol em segundo.

Na terceira posição na somatória dos votos, Esperidião Amin (PP) e Décio Lima (PT) têm um empate técnico quase cravado: 25,7% para o pepista, 25,6% para o petista. Antidio Lunelli (MDB) marca 16,1%, Afrânio Boppré (PSOL) aparece com 15,1% e Jefferson Rocha (PRD) registra 1,1%. Eleitores que declararam voto em branco ou nulo, na somatória, são 9%, enquanto 15,1% estão indecisos.

Assim, a pesquisa Neokemp é água no chope de Amin, rebaixado de pelotão em relação a outros levantamentos.

O que diz a pesquisa Neokemp para o governo de Santa Catarina

Os números da corrida pelo governo do Estado têm se mantido estáveis e não muito distante do cenário que apresentam as pesquisas embargadas. O governador Jorginho Mello (PL) lidera com 52,8% das intenções de voto – tinha 52,3% em junho. João Rodrigues (PSD) aparece com 20,3%, praticamente idêntico aos 20,4% que tinha mês passado. Gelson Merisio (PSB) também se manteve estável: tinha 9%, agora tem 8,2%.

Entre as candidaturas de menor peso político, Marcelo Brigadeiro (Missão) tem 2,5%, enquanto Ralf Zimmer (PRD) marca 1,7%. Eleitores indecisos 9,2%, os que optam por voto branco ou nulo, 5,3%.

Todas as variações estão dentro da margem de erro de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, apresentada pelo instituto.

Nesse levantamento, Jorginho soma 20,1 pontos percentuais a mais do que a soma dos adversários. É o número que os demais precisam tirar para garantir o segundo turno. Esse percentual chegava a 30 pontos no Futura embargado de maio e está em 15 pontos no IPC publicado este mês – que passou ileso.

O que diz a pesquisa Neokemp para a presidência em Santa Catarina

Se a pesquisa dos robôs caçadores de voto instintivo não trouxe mudanças nos cenários de governo e Senado, para a presidência da República o sismógrafo do Neokemp registrou algo interessante no humor do eleitor catarinense. Assim como o IPC, pesquisa presencial, Flávio Bolsonaro (PL) apresentou queda acima da margem de erro.

O candidato a presidente pelo PL tinha 51,4% em junho e agora aparece com 47,4% – quatro pontos percentuais a menos. É mais uma pesquisa que colocar Flávio Bolsonaro em uma faixa de votos inferior a do governador Jorginho Mello. Analisei isso em um texto recente aqui no Portal Upiara.


Em segundo lugar, distante, Lula se manteve estável. Tinha 25,5% e agora tem 25,4%. Interessante notar que Décio Lima, segundo a Neokemp já bateu no teto lulista em Santa Catarina, enquanto Afrânio Boppré e Gelson Merisio ainda teriam boa margem de crescimento.


Se Flávio Bolsonaro cai e Lula continua no seu patamar, quem está se beneficiando neste movimento – que ainda precisa ser verificado no tempo para ver se é consistente – é Renan Santos (Missão). Ele cresceu praticamente o percentual que o presidenciável do PL perdeu: tinha 3,8% em junho e agora tem 7,2%.


O outsider ultrapassou numericamente Romeu Zema (Novo), que tem 7,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), que aparece com 5%. Ambos oscilaram positivamente dentro de margem de erro, indicando que também podem ter colhido parte de desgaste de Flávio Bolsonaro.

Cheguei ao final do texto. Vou publicar antes que venha alguma liminar. Até a próxima pesquisa, leitor.

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