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O carnaval do "Nós contra Eles"

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • 16 de fev.
  • 3 min de leitura

Desfile de Carnaval em homenagem a Lula pode torná-lo inelegível?

São Bento do Sul - 16/02/2026 - "Olê, olê, olê, olá / Lula, Lula" — o grito historicamente usado por eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi parar no refrão do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, escola que abriu o desfile do grupo especial do Rio de Janeiro no domingo (15/02) com uma homenagem à história do petista.


A música também cita o número do PT (13), ao falar que Lula levou "treze noites, treze dias" para migrar com sua mãe de Pernambuco a São Paulo quando criança, e faz referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citá-lo diretamente, no trecho: "Assim que se firma a soberania / Sem mitos falsos, sem anistia".

A escolha do tema em ano de disputa presidencial gerou acusações de campanha eleitoral antecipada por parlamentares bolsonaristas, além de críticas sobre o uso de dinheiro público para financiar a escola — o valor recebido do governo federal (R$ 1 milhão) foi o mesmo destinado às outras doze agremiações do grupo especial do Rio.


O financiamento público do desfile pode se aproximar de R$ 10 milhões, considerando também valores repassados às escolas do grupo especial pelo governo estadual e as prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói.


O partido Novo tentou impedir a homenagem a Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas a Corte negou o pedido na quinta-feira (12/2) por considerar que seria censura.

Por outro lado, os ministros deixaram claro que viam risco de crime eleitoral durante o desfile, o que pode levar a punições futuras à esperada candidatura à reeleição do presidente.


"É um ambiente muito propício a que haja excessos, abusos e ilícitos. A festa popular do Carnaval não pode ser uma fresta para ilícitos eleitorais", afirmou a presidente do TSE, Cármen Lúcia, no julgamento.


A ministra disse também que a anunciada participação de Lula "significa que há pelo menos um risco muito concreto, previsível, de que venha a acontecer algum ilícito que será objeto, com toda a certeza, da atuação dessa Justiça Eleitoral".

 

(Foto: Twitter Reimont | Reprodução)

Nos anos 80, sob o traço de Oscar Niemeyer no recém-nascido Sambódromo, o grito era pelas Diretas Já.

Em 2020, a Acadêmicos do Vigário levou à Sapucaí um boneco do palhaço Bozo com a faixa presidencial fazendo o sinal de "arminha", crítica ao então presidente Jair Bolsonaro.


Naquele mesmo ano, a São Clemente escalou o humorista Marcelo Adnet para parodiar o político no topo de um carro alegórico cercado por fake news.

Já em 2024, vimos o Vai-Vai incendiar o debate ao retratar a estátua de Borba Gato em chamas e policiais com asas de demônio, uma crítica à violência estatal que gerou notas de repúdio e aplausos fervorosos.

Esses são apenas alguns momentos em que a avenida entregou muito mais do que fantasias e danças.


A polêmica de 2026

Nessa linha, o Carnaval de 2026 já começa nos tribunais. O Partido Novo acionou o TSE contra o enredo da Acadêmicos de Niterói, intitulado "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". A acusação? Propaganda eleitoral antecipada.

(Imagem: Ricardo Stuckert | PR)

Com uma multa pleiteada de R$ 9,65 milhões, o debate divide juristas e foliões:

De um lado: O argumento de que o samba foca na trajetória biográfica e simbólica (o retirante, o operário) e não na agenda de governo. Defendem que barrar o enredo seria censura prévia, ferindo a liberdade de expressão artística garantida pela Constituição e ignorando precedentes históricos de homenagens a figuras públicas.


Do outro: A tese de que, em ano eleitoral, um desfile financiado com verba da União e do Estado fere os princípios da impessoalidade e moralidade administrativa. Argumentam que a exaltação direta do presidente no Sambódromo desequilibra o pleito, funcionando como um jingle de 70 minutos financiado pelo próprio contribuinte.


Além do partido, a senadora e ex-ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, apresentou uma ação para tentar impedir o desfile da escola de Niterói, além de pedir a proibição de imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro no desfile — e de emissoras transmitirem eventuais críticas a ele. A Justiça já extinguiu essa ação, sem analisar o mérito.

 

Talvez o grande ponto nem seja que o Carnaval virou palanque, porque sempre foi. A diferença é que agora o microfone está mais alto, as câmeras são globais e a polarização quase que não permite a neutralidade.


Com informações de:






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