Lula é confirmado candidato à reeleição na convenção do PT; chapa de SC estava presente


A chapa majoritária do Campo Democrático de Santa Catarina participou, na manhã deste domingo, em São Paulo (SP), da Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que oficializou a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O candidato ao Governo de Santa Catarina, Gelson Merisio (PSB), a candidata a vice-governadora, Angela Albino (PDT), e os candidatos ao Senado, Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL), representaram Santa Catarina no encontro, que reuniu lideranças nacionais e candidatos dos partidos que integram a aliança em diversos estados.
Durante o discurso, o presidente Lula afirmou que esta será sua última eleição presidencial e disse que pretende deixar, ao final do mandato, um Brasil preparado para as próximas gerações.
“Neste quarto mandato, não quero o Lulinha paz e amor. Eu quero o Lulinha porreta. Quero um Lulinha que faça o que a gente ainda não fez, porque o básico já temos garantido. O povo já está comendo. Agora é o momento de decidirmos o Brasil que queremos para as próximas gerações.”
Lula também destacou a importância do respeito entre as pessoas e reafirmou o combate à violência contra a mulher como uma das prioridades de um novo mandato. O tema ganha relevância em Santa Catarina. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no mês passado, o Estado lidera os registros de ameaça contra mulheres e permanece entre os estados com os maiores índices de violência doméstica de gênero.
“Se for um agressor de mulher, eu nem quero o voto. Ou aprende a respeitar a mulher ou nem precisa votar em mim. Vamos implementar novos mecanismos de combate ao feminicídio no Brasil”, afirmou o presidente.
Em outro momento do discurso, Lula questionou governos que disputam a reeleição apresentando propostas que, segundo ele, poderiam ter sido executadas durante o mandato.
“Nós não temos que inventar nada para dizer ao povo. Quem já está no poder não pode fazer um programa de governo prometendo um monte de coisa que ainda não fez. O povo vai perguntar: se está no governo há quatro anos, por que ainda não fez?”
A campanha do Campo Democrático avalia que essa reflexão dialoga com o cenário vivido em Santa Catarina. O governo Jorginho Mello já ultrapassou a marca de meio bilhão de reais em despesas com publicidade ao longo de três anos e meio de gestão, enquanto diversas obras estruturantes seguem apenas no anúncio.
Na infraestrutura, a avaliação é de que Santa Catarina enfrenta gargalos históricos na ampliação da malha rodoviária. De acordo com o último levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), as deficiências da infraestrutura geram prejuízos superiores a R$114 milhões por ano ao setor produtivo. A candidatura sustenta que, em muitos casos, obras de manutenção vêm sendo apresentadas como grandes investimentos, sem que haja ampliação significativa da capacidade das rodovias estaduais.
Na saúde, os indicadores também preocupam. De acordo com relatórios obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), cerca de 116 mil pessoas aguardam por uma cirurgia eletiva em Santa Catarina, número aproximadamente 10% superior ao registrado no início do atual governo. De acordo com dados do Portal da Transparência, o Estado conta hoje com menos médicos do que no começo do mandato.
A educação também esteve entre os principais temas da convenção. Lula destacou o Programa Federal Pé-de-Meia, criado para incentivar a permanência dos estudantes no ensino médio, além dos investimentos na educação superior.
Em Santa Catarina, mais de 85 mil estudantes são beneficiados pelo programa, que pode alcançar R$9,2 mil por aluno ao longo do ensino médio. O programa contribuiu para reduzir em 16% a evasão escolar no Estado. Até o início do último semestre, os investimentos do Governo Federal no Pé-de-Meia em Santa Catarina somavam R$275 milhões.
A campanha também faz críticas aos indicadores da educação estadual. Santa Catarina possui o quarto pior salário inicial do magistério entre os estados brasileiros e um dos menores níveis de valorização ao longo da carreira docente, com diferença inferior a 3% entre o início e o final da carreira, fator apontado como um desestímulo aos profissionais da educação.
Durante a convenção, os integrantes do Campo Democrático de Santa Catarina também participaram de reuniões e diálogos com lideranças nacionais e representantes de outras chapas estaduais da aliança.
O encontro reforçou a importância da construção de alianças e do fortalecimento do diálogo com a sociedade. Em Santa Catarina, a chapa afirma que pretende ampliar o apoio entre o eleitorado independente, defendendo uma proposta de governo voltada à melhoria dos serviços públicos, ao desenvolvimento econômico e à construção de políticas públicas que coloquem os interesses da população acima das disputas ideológicas.



