Flávio desiste do debate na Globo e após decisões da Justiça, Globo cancela debate


Foto: Pablo Porciuncula/AFP
A TV Globo cancelou o debate entre candidatos à Presidência previsto para a noite desta quinta-feira, após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alterarem regras eleitorais e outras que haviam sido previamente acertadas com as campanhas. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) já estavam na emissora quando o cancelamento foi anunciado. Segundo a Globo, duas notificações recebidas nesta quinta interferiram nas condições estabelecidas para o programa. A primeira foi uma decisão (íntegra) da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a emissora de manter vazio o púlpito destinado a candidatos ausentes e de permitir perguntas direcionadas a eles. A segunda decisão (íntegra), do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a Globo incluísse Renan Santos (Missão) no programa. Pelas regras da emissora, o candidato ficaria de fora porque seu partido não atingia a representação mínima no Congresso exigida por lei para convite obrigatório. A Globo mencionou ainda uma decisão anterior (íntegra) do presidente do TSE, Nunes Marques, que alterou o entendimento sobre a contagem de parlamentares para participação em debates e garantiu a presença de Romeu Zema. (CNN Brasil, g1 e Poder360)
Os dois principais candidatos à Presidência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), desistiram de participar do debate antes de a Globo cancelar o encontro. Lula havia confirmado sua ausência na véspera e, na noite de quinta-feira, concedeu uma entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro, por sua vez, desistiu de participar poucas horas antes do horário previsto para o início do debate. Segundo o senador, a decisão foi motivada pela determinação do TSE para que a Globo retirasse do cenário o púlpito reservado a Lula. Flávio classificou a medida como interferência jurídica por parte do tribunal. (Metrópoles)
Na entrevista que deu ao Flow, Lula criticou o formato dos debates promovidos pela TV Globo ao justificar sua decisão de não participar do encontro. “Eu há tempos tenho questionado os debates da Globo”, afirmou Lula. O presidente disse considerar inadequado reunir no mesmo confronto candidatos com índices muito diferentes de intenção de voto. “Você não pode levar uma pessoa que tem 49% a debater com o que tem 1%”, declarou. Durante a entrevista (íntegra), Lula também se referiu a Flávio Bolsonaro como “desqualificado”. (Folha e Flow)
Já Flávio fez sua própria live (íntegra) e passou a explorar a reação à decisão do TSE sobre o debate da TV Globo para defender o que chamou de “voto da revolta” contra o Judiciário. A estratégia busca atrair eleitores de outros candidatos e tentar concentrar votos suficientes para uma vitória no primeiro turno. Na transmissão, Flávio acusou o TSE de favorecer Lula. “Eles criaram um sistema de bypass, um mecanismo, uma fraude para escolher quem são os ministros do TSE que vão tomar as decisões a favor do Lula. Estão avacalhando as eleições”, afirmou. (Estadão)
Confira parte do que os líderes nas pesquisas disseram em suas respectivas lives. (UOL)
Em editorial, o Globo criticou duramente as decisões judiciais que, de acordo com o texto, levaram ao cancelamento do debate. “Regras prevendo o púlpito vazio também foram adotadas noutros debates na atual campanha e em campanhas anteriores, e não apenas pela Globo. Em todos, foram respeitadas sem queixas. Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa. A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da Globo”, afirma o editorial. (Globo)
O presidente Lula aparece com 45% dos votos válidos no primeiro turno da eleição presidencial, contra 40% do senador Flávio Bolsonaro, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento, realizado entre terça e quinta-feira, mostra ainda empate técnico em uma eventual disputa de segundo turno. Considerando os votos totais, Lula registra 48% das intenções, enquanto Flávio tem 45%. Na pesquisa divulgada uma semana antes, Lula aparecia com 43% dos votos válidos no primeiro turno e Flávio, com 39%. Entre os demais candidatos, Augusto Cury (Avante) aparece com 4% dos votos válidos, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%. (Folha)
Donald Trump afirmou que acompanha de perto a eleição presidencial brasileira e classificou o pleito como “muito importante”. “O Brasil é um país muito importante, um grande país, as pessoas no Brasil são fantásticas, é uma eleição muito importante”, disse o presidente dos EUA a jornalistas ao deixar a Casa Branca. Trump não mencionou candidatos nem fez comentários sobre a disputa eleitoral brasileira. A declaração ocorre três dias depois de o presidente Lula pedir publicamente que o colega não interfira na eleição. O governo americano nega qualquer tentativa de interferência. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no entanto, alertou autoridades da França e da Alemanha sobre uma suposta tentativa de interferência estrangeira na eleição brasileira. Os relatos mencionaram ações atribuídas aos Estados Unidos e à Rússia. (CNN Brasil)A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investiguem um suposto financiamento do governo de Donald Trump a grupos ligados à direita no Brasil. A notícia-crime foi encaminhada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido se baseia em reportagem do jornal britânico Guardian sobre a destinação de US$ 1 milhão de um fundo do governo americano voltado à promoção de direitos humanos e democracia para um programa denominado Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil. (Metrópoles)
E o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se apresentou como um possível ministro das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão, o senador Flávio Bolsonaro. Em vídeo, Eduardo evitou reivindicar diretamente o cargo, mas destacou sua interlocução com autoridades estrangeiras, especialmente com integrantes do governo americano. Também mencionou como objetivo o reconhecimento do Comando Vermelho e do PCC como organizações narcoterroristas. Na véspera, ele já havia feito vídeo ameaçando retaliar diplomatas que “sabotaram” o governo de seu pai. (Folha)



