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Escala 6x1: quem pagará a conta da jornada reduzida?

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

*Por: Gilberto Seleme

A indústria catarinense mantém o compromisso histórico de buscar a melhoria das condições de trabalho e o bem-estar de quem produz. No entanto, é preciso coragem para dizer o que muitos evitam: o debate sobre o fim da jornada 6x1 está sendo perigosamente contaminado por interesses eleitorais. Não se pode misturar uma mudança de tamanha magnitude estrutural com o oportunismo de quem busca popularidade digital ou dividendos nas urnas. O real interesse do Brasil — que é o crescimento sustentável — é muito diferente da pressa daqueles que visam apenas a próxima eleição.


Como já manifestado publicamente pelo setor produtivo em diversas oportunidades, redução da jornada sem redução de salários só é viável sob duas premissas fundamentais: o aumento real da produtividade e a livre negociação. A Reforma Trabalhista de 2017 já oferece os instrumentos para que empregadores e empregados ajustem suas realidades. Onde há tecnologia e escala, a redução já acontece de forma negociada. Contudo, em Santa Catarina, 86% dos trabalhadores industriais (806 mil pessoas) ainda operam em regime de 44 horas semanais. Isso não é uma "escolha" arbitrária dos empresários, mas o reflexo das duras condições competitivas a que estamos expostos.


O cenário internacional é de guerra comercial e protecionismo, simbolizado pelo "tarifaço" nos EUA e pela agressividade produtiva de gigantes asiáticos e vizinhos como o México, que mantêm jornadas de 48 horas ou mais. Alemanha, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Argentina e Uruguai permitem jornadas de 48 horas. A Suíça, de 50. Ignorar isso é condenar a indústria nacional. A CNI projeta um impacto de R$ 179 bilhões ao setor produtivo e de R$ 150 bilhões ao setor público, elevando o custo do emprego em 25%. O resultado? Alta nos preços ao consumidor, informalidade e, no fim das contas, o desemprego.


Por isso, pedimos a compreensão da sociedade para a complexidade deste tema, que não cabe em frases de efeito. Pedimos lucidez aos parlamentares: a gravidade do assunto exige responsabilidade técnica, não populismo. E convocamos os empresários para que nos apoiem no esclarecimento aos trabalhadores, políticos e opinião pública.


Não pode haver açodamento na aprovação de uma medida que ameaça a sustentabilidade dos negócios. Um debate com este impacto não pode ser embalado por conveniências eleitorais, sob o risco de hipotecarmos o futuro dos empregos formais no Brasil em troca de promessas que a conta da realidade jamais permitirá pagar.


*Foto: Gilberto Seleme, presidente da FIESC. (foto: Filipe Scotti)

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