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Dois em cada 10 eleitores não foram votar nas cidades que lideram a abstenção em SC; confira a lista completa

Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
Vilmar Bueno, o ESPETO
há 9 horas
5 min de leitura


Alta abstenção nos 56 municípios catarinenses pode ter sido influenciada pelo tempo e pelo perfil do eleitorado, mas especialistas alertam para crise de representatividade


Mais de um milhão de eleitores de Santa Catarina não votaram no primeiro turno das Eleições Gerais, o que fez o estado atingir o maior índice de abstenção desde 2012, com 18,95% de ausentes. Um levantamento do Portal Upiara aponta 56 cidades catarinenses onde dois em cada dez eleitores decidiram não votar. Especialistas alertam que o aumento das abstenções desenha um cenário em que políticos eleitos para representar o povo são escolhidos por uma parcela cada vez menor da população.


O índice de abstenção catarinense acompanha a média brasileira. O país bateu um recorde de 33,4 milhões de pessoas que não compareceram às urnas, grupo que representa 21,08% do total de eleitores. Em Santa Catarina, 56 municípios têm um índice acima de 20% de abstenção, próximo ou superior à média nacional.


Os municípios que detêm o maior índice de abstenção representam 18% do Estado e estão distribuídos em todas as regiões catarinenses, mas especialmente concentrados nas regiões Sul, Meio-Oeste, Oeste e Norte de Santa Catarina. Das 56 cidades, 35 têm uma população menor que 50 mil habitantes, o equivalente a 63,6%.


Grandes colégios eleitorais também estão no ranking de abstenção alta em Santa Catarina, como Florianópolis, onde 86 mil pessoas não foram votar, e Criciúma, com 31.853 abstenções, Lages, com mais de 26 mil ausentes, e Balneário Camboriú, com 22 mil.

O presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, alertou para o aumento da abstenção. O magistrado aponta para o impacto que 20% dos eleitores ausentes poderiam ter em uma eleição e disse que, conforme esse índice cresce, os políticos eleitos vão representar cada vez menos uma parcela da população.


— Precisamos reconhecer que esse é um índice alto, 20% é um quinto do eleitorado. Então você tem 80% do eleitorado decidindo, enquanto 20% lava as mãos e deixa para os outros. Cada voto é um voto, mas de alguma maneira aqueles que comparecem também estão representando aqueles que não vieram. Isso aumenta ainda mais a importância de comparecer e de lançar um voto consciente. […] Quanto mais esses índices de abstenção aumentarem, menor será a representatividade dos eleitos.


O magistrado comparou a escolha do voto com escolhas cotidianas. — Na nossa vida, nós não deixamos que outros escolham para nós o que é significativo para nós. Você deixa que outros escolham o teu cardápio do almoço? — questiona.


Segundo o presidente do TRE-SC, o índice de abstenção pode ser motivado por muitos fatores, mas o aumento observado nacionalmente, que cresce ao longo dos anos, pode ser explicado por uma crise de representatividade.


— A crise da representatividade está ocorrendo até mesmo nas democracias mais antigas. Aqui no Brasil, nós não podemos tampar o sol com a peneira. Nós temos uma crise de modo geral nas instituições, no Legislativo e no Executivo, que alcança o Poder Judiciário também. Se nós pararmos para pensar nos últimos anos, foram vários escândalos. […] A população acaba também se descontentando e não entende mais a eleição como um grande momento de renovação.


A professora Cíntia Souza, do departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), resume a importância individual de cada voto.

— O voto é o nosso instrumento de escolha sobre quem vai ocupar a posição de poder e quem vai direcionar a implementação das políticas. O voto é um instrumento em que todos nós somos iguais quando escolhemos. Cada voto tem o mesmo peso. Então, se abster é abrir mão desse direito que a gente tem. […] Se a pessoa quer sinalizar para que direção ela quer que o país caminhe, é preciso sair de casa e depositar esse voto.

Tempestade e eleitorado mais velho podem ter influenciado na abstenção catarinense

Nos sete primeiros municípios do ranking, a abstenção se aproxima de 25%, o que significa que um em cada quatro eleitores decidiu não ir votar em 4 de outubro.

  1. Urussanga: 24,99%

  2. Dionísio Cerqueira: 24,85%

  3. São Francisco do Sul: 24,69%

  4. Timbó Grande: 24,62%

  5. Santa Cecília: 24,58%

  6. Itapoá: 24,41%

  7. Abelardo Luz: 24,08%

Na madrugada do domingo das eleições, as regiões do Extremo-Oeste, Oeste e parte do Meio-Oeste estavam em alerta laranja para temporais com vendaval. A previsão se concretizou e, após uma noite marcada por chuva com granizo e vento forte, algumas zonas eleitorais ficaram sem luz. Segundo o TRE, foram 129 quedas de energia antes do meio-dia causadas por chuvas que ocorreram antes da votação, especialmente em Timbó, Rio Negrinho, Navegantes e Santa Cecília.


Outro aspecto dos municípios que lideram a abstenção em Santa Catarina é o índice de eleitores acima de 70 anos. A média do eleitorado idoso que não é obrigado a votar no Estado é de 8,5%. No entanto, 50 dos 56 municípios com mais de 20% de ausentes têm um percentual de eleitores idosos acima da média catarinense.

Segundo Cíntia Souza, fatores como a tempestade e o eleitorado mais velho podem ter influenciado o número, que é considerado alto.


— Um em cada quatro não foi votar, é muito alto. Quando isso ocorre, eu já desconfio que algo inesperado pode ter causado isso, porque é um índice bem mais alto do que o esperado. Ou ocorreu um fluxo migratório ou um evento climático, por exemplo. O número de eleitores que estão na faixa de voto facultativo também é um dado interessante de problematizar.


Diante de um segundo turno polarizado, campanhas do PT e do PL miram nos ausentes do 1º turno

Com Jorginho Mello (PL) reeleito governador em Santa Catarina, os eleitores do Estado vão às urnas em 25 de outubro para decidir o presidente do Brasil. O segundo turno foi definido após Lula (PT) receber 45,16% e Flávio Bolsonaro (PL), 47,03%, enquanto os demais candidatos juntos somaram 7,81% dos votos válidos.


A diferença de dois pontos percentuais entre Lula e Flávio Bolsonaro torna ainda mais apetitosa a parcela de eleitores que se abstiveram. É nesse grupo de eleitores que tanto a campanha do PL quanto a do PT em SC pretendem focar.


O presidente do PL em Santa Catarina, Jorginho Mello, confirmou que o objetivo da campanha é conquistar os ausentes do primeiro turno.

— Tem os eleitores do Caiado, do Zema, do Cury, do Santos. Quem votou no Lula, vai votar no Lula. Quem votou no Flávio vai votar no Flávio. E vamos trazer os que não foram votar. Então, essa é a nossa grande expectativa do Flávio ganhar a eleição. Ele tem chance real, eu não tenho dúvidas, nós vamos trabalhar para isso.


Já o presidente do PT em SC, o deputado reeleito Fabiano da Luz, também afirmou que a campanha deve focar nos ausentes e, especialmente, em idosos.

— A gente sabe que teve uma abstenção grande. Muitos idosos não foram votar, que são os que enfrentaram as dificuldades dos períodos antes dos governos Lula e depois viram as melhorias que tiveram com o governo Lula. Então, um dos objetivos é encontrar essas pessoas, convidá-las a ir votar. Também conversar com pessoas que, por revolta dessas disputas, também não foram votar e aquelas pessoas que votaram em outros candidatos e mostrar o risco que é o Brasil cair na mão da família Bolsonaro e da extrema direita radical.


Eleitor que faltou o 1º turno das Eleições não precisa justificar ausência para votar no 2º

Os eleitores que não votaram no primeiro turno das Eleições 2026 poderão votar normalmente no segundo turno. Não é necessário justificar a ausência do primeiro turno antes de comparecer às urnas no segundo. A justificativa eleitoral é feita separadamente para cada turno. A ausência no primeiro turno pode ser justificada até 3 de dezembro.


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