Convenções movimentam o sábado em Santa Catarina
- Vilmar Bueno, o ESPETO

- há 2 dias
- 4 min de leitura

João Rodrigues (PSD) e Jorginho Mello (PL) tiveram suas candidaturas homologados no sábado |Foto: montagem arquivos PSD/SC e Ana Quinto para o Portal Upiara
Bandeiras, entusiasmo, militância, o número do partido no peito. Vídeos bem produzidos, jingles empolgantes, presença de presidenciáveis. Gente, muita gente. De um lado, mais; do outro, menos. Ingredientes semelhantes, formatos diferentes, narrativas de largada pré-definidas.
O que se viu no apelidado “super sábado” de convenções foi a musculatura de Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues (PSD), junto aos seus times, para enfrentar a caminhada eleitoral que começa, de fato, apenas no dia 16 de agosto. Também foi um fragmento do que desenham para convencer o eleitor.
Enquanto João Rodrigues adotou um discurso mais moderado, conciliador e propositivo do que no início da pré-campanha, Jorginho, ao lado de três dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou o bolsonarismo como alternativa para o Brasil e destacou as realizações de sua gestão, atacando o governo federal, que, segundo ele, vira as costas para Santa Catarina. Ambos estiveram cercados pelas alianças agora oficializadas.
Na Assembleia Legislativa, PSD, MDB e Federação União Progressista realizaram atos menores, mas politicamente relevantes. O auditório Antonieta de Barros, no final das convenções, reuniu quase todas as lideranças das siglas parceiras. O senador Esperidião Amin (Progressistas), que circulou pela Alesc, não dividiu o palco com o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), em linha com a neutralidade nacional do Progressistas e com sua própria narrativa de defesa do bolsonarismo.
Já na Arena Opus, PL, Novo, Republicanos, Podemos, Federação PSDB/Cidadania, Avante, Democracia Cristã (DC) e Agir promoveram um evento que deve estabelecer um recorde de público em convenções partidárias em Santa Catarina.
O formato permitiu uma arquibancada lotada e uma plateia mobilizada. Em meio ao verde e amarelo, predominou a defesa do bolsonarismo em nível nacional, com críticas ao governo federal e ao STF, além da mensagem de que Santa Catarina dá certo sob o comando de Jorginho Mello.
Com Caiado, João Rodrigues ajusta o tom e fala em propostas
Esperidião Amin, que circulou pela Alesc, ficou fora da fotografia com Ronaldo Caiado, em linha com a neutralidade nacional do Progressistas e com sua própria narrativa de defesa do bolsonarismo. Foto: Sol Urrutia / Portal Upiara
Não é por acaso que João Rodrigues apresentou um discurso mais moderado no dia de ontem. Ao lado de Ronaldo Caiado (PSD) e Gilberto Kassab (PSD), provar que é mais de direita ou mais ligado a Bolsonaro do que seu principal adversário deixou de ser estratégia. Se antes era o mais raiz da direita, agora é um filho da direita raiz, porém ponderado.
Com a candidatura de Gelson Merísio (PSB) pautada por um discurso de centro-esquerda, João não pode descuidar dos eleitores fora do campo bolsonarista para chegar ao segundo turno.
Além do quadro político, pesquisas qualitativas mostram as dores dos catarinenses, e é nelas que o pessedista também vai apostar, sinalizando para um governo “despolitizado e humanizado”.
“Eu nunca me aliei politicamente à esquerda em Santa Catarina, mas eu respeito meus adversários. Meu discurso não será essencialmente só isso. Acho que a gente tem que falar mais do que isso, tem que falar das rodovias federais que estão intransitáveis no estado, não é pela falta de manutenção, elas colapsaram; falar da saúde pública, que tem 25 mil pessoas aguardando uma cirurgia de alta complexidade; do estado mais rico do Brasil, que não construiu uma habitação popular em quatro anos”, disse, dando um tom propositivo ao discurso.
Sem ataques contundentes ao governo Jorginho, que mantém índices de aprovação favoráveis, João reforçou que os indicadores positivos de Santa Catarina são fruto de governos alicerçados por seus atuais aliados (MDB, PP e PFL). “Todos os que fizeram o melhor estado do Brasil estão conosco. Precisamos sair da bolha, a bolha não nos pertence”, afirmou.
A festa bolsonarista na Arena Opus
Posicionar Santa Catarina como um estado esquecido pelo governo federal e que dá certo não é uma narrativa nova de Jorginho Mello. A convenção suprapartidária de sábado reforçou seu posicionamento, que, aliado aos resultados do atual governo, deve pautar a campanha de reeleição.
“Sou o único governador do Brasil que não aumentou impostos e arrecadei mais. Nunca esqueçam disso. O Brasil tem que se espelhar um pouquinho em Santa Catarina para ter sucesso”, disse.O governador será fiel ao bolsonarismo, mesmo com a leve queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, e vai apostar nos indicadores positivos de Santa Catarina.
Jorginho Mello ao lado dos três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu candidato a vice, Adriano Silva, mantém-se fiel ao bolsonarismo e apostará em realizações de seu governo e ataques ao governo federal | Foto: Ana Quinto para o Portal Upiara
Campanha começa dia 16 de agosto
Faltando 14 dias para o início da campanha eleitoral, ainda é cedo para saber se os números atuais das pesquisas, que apontam favoritismo de Jorginho Mello, serão mantidos. João Rodrigues e Gelson Merísio, principais concorrentes do governador, ainda são desconhecidos de uma parcela importante do eleitorado; suas propostas e posicionamentos mais ainda.
Até o momento, o dia 4 de outubro está na cabeça dos agora homologados candidatos, dos partidos e de nós, que acompanhamos a política diariamente.
Muito água ainda vai passar por baixo da ponte da política eleitoral de Santa Catarina e do Brasil.
Por último
Junto com Jorginho Mello foram homologados o candidato a vice, Adriano Silva (Novo); os candidatos ao Senado, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro; e suas respectivas suplências, com Andrei Tomazzi e Juliano Custódio, e Balduíno Ferreira e Rafael Caleffi, respectivamente. Além dos nominatas para a Alesc e a Câmara dos Deputados.
Ao lado de João Rodrigues, foram homologados Carlos Chiodini (MDB) para vice, Esperidião Amin e Antídio Lunelli (MDB) para o Senado. As suplências, bem como as nominatas completas para a Alesc e a Câmara dos Deputados, devem ser confirmadas até quarta-feira.
Em tempo: faltam mulheres na chapa até agora masculina de João Rodrigues. A vereadora de Balneário Camboriu, Jade Martins (MDB) pode vir a ser homologada, mas ainda não foi confirmada. Uma pena.



