Como a WEG ganhou espaço nos EUA com a corrida pela inteligência artificial


A catarinense WEG nunca faturou tanto fora do Brasil. No terceiro trimestre, o equivalente a 62,5% da receita da companhia veio do exterior. Um recorde.
O crescimento vem sobretudo dos Estados Unidos. A receita da WEG na América do Norte cresceu 31% em dólares em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a US$ 723 milhões.
Agora, a região já responde por 55% de todas as vendas internacionais da empresa. Os dados são do balanço financeiro do terceiro trimestre, divulgado pela empresa nesta quarta-feira (21).
É, em grande parte, um reflexo da corrida americana pela inteligência artificial, que movimenta centenas de bilhões de dólares.
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Os data centers
Os Estados Unidos estão construindo data centers em ritmo acelerado para atender à demanda por inteligência artificial. Os gastos com a construção dessas infraestruturas no país passaram de US$ 20 bilhões em 2023 para quase US$ 50 bilhões em 2025, segundo dados do governo americano.
A WEG participa dessa corrida fornecendo equipamentos. Um deles é o gerador de energia de reserva: como os data centers precisam funcionar 24 horas por dia, sem interrupções, esses equipamentos entram em operação quando há problemas no fornecimento de eletricidade.
A companhia também vende motores elétricos para os sistemas de ventilação e refrigeração, necessários para impedir que os milhares de servidores superaqueçam.
A demanda já levou a WEG a anunciar, em setembro, um investimento de US$ 165 milhões para ampliar a produção de geradores na América do Norte.
O projeto prevê a expansão de uma fábrica no México e a construção de outras duas instalações na região. Com isso, a companhia pretende multiplicar por cinco sua capacidade global de fabricação de geradores, passando dos atuais dez para 50 equipamentos por dia até 2030.
E a infraestrutura elétrica
Mas não basta construir data centers. É preciso garantir eletricidade suficiente para abastecê-los.
Por isso, os Estados Unidos também estão em uma corrida para ampliar e modernizar suas redes elétricas, pressionadas pelo crescimento do consumo de energia e pelo envelhecimento de parte da infraestrutura que já existe.
As companhias privadas de energia americanas projetam investir US$ 1,4 trilhão entre 2026 e 2030 em geração, transmissão, distribuição e modernização do sistema elétrico, segundo a Edison Electric Institute.
É nesse mercado que entra outro produto importante da WEG: os transformadores.
Esses equipamentos ajustam a tensão elétrica para que ela possa ser utilizada por casas, indústrias e empresas.
No terceiro trimestre, a receita internacional da divisão de geração, transmissão e distribuição de energia da companhia cresceu 24% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a quase R$ 2,5 bilhões.
Para atender à demanda, a WEG também está ampliando suas fábricas de transformadores nos Estados Unidos, no México e na Colômbia.
Os números da WEG
No terceiro trimestre, a WEG registrou uma receita total de R$ 10,9 bilhões, alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
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O lucro líquido, porém, cresceu apenas 0,9%, para R$ 1,7 bilhão.
Isso porque os custos da companhia aumentaram mais rapidamente que as vendas, pressionados principalmente pelo encarecimento do cobre, pelas tarifas de importação nos Estados Unidos e pelos gastos com a expansão das fábricas.
O EBITDA, indicador que mede o resultado operacional da empresa, cresceu 3,1%, para R$ 2,3 bilhões. Já a margem EBITDA, que indica a rentabilidade das operações da empresa, caiu de 22,2% para 21,6%.



