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Carta de Jair Bolsonaro reafirma Flávio como herdeiro político mas partidos estão distantes

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • 13 de jul.
  • 4 min de leitura

A carta escrita de próprio punho e assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi apresentada pelo filho, senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no último sábado como uma espécie de bala de prata para a crise do bolsonarismo que veio à tona a partir do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) fez críticas às articulações do enteado.

As primeira reações indicavam esse sentido. Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, deu a ordem clara a seus apoiadores – parecendo falar menos para a militância e mais para a disputa interna entre seus filhos e a esposa que tem dividido as lideranças do PL entre aliados de um lado e de outro e os atônitos.

– O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a presidencia, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violencia e do empobrecimento. Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para à paz e a prosperidade. 

Michelle Bolsonaro não estava presente no encontro do pai e do filho. Agora ex-presidente do PL Mulher, cargo que entregou a Valdemar da Costa Neto na esteira da crise com Flávio Bolsonaro, ela tenta colocar em pé um movimento de mulheres na política que denominou Imparáveis. Busca uma agenda própria, cada vez.

Nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rapidamente publicou um texto em que garante estar integrado “no projeto Flávio Presidente e trabalhando por isso”, mas não deixou de dar seu recado para os militantes ligados a Eduardo e Carlos Bolsonaro, que o alvejam diariamente nas redes: “infelizmente, alguns parecem não conseguir obedecer nem mesmo o líder que dizem seguir.

Curioso sempre que se trata de Nikolas Ferreira como fenômeno nas redes sociais é observar que aquilo que ele quer dizer, é feito em vídeo. Aquilo que ele precisa dizer, é em texto.

A carta de Jair Bolsonaro sela Flávio Bolsonaro como o candidato do PL, condição garantida no final de semana por Valdemar, agora com R$ 119 milhões em bens bloqueados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), por supostamente ter indicado emendas parlamentares nesse valor – sem ser parlamentar. Flávio Bolsonaro havia saído em sua defesa na sexta-feira.

– É bom para mostrar isso para os eleitores, porque os eleitores são do Bolsonaro, do Jair, né? Do pai”, disse o dirigente à Folha de S. Paulo no domingo.

Adversários do PSD e do Missão ironizam Flávio Bolsonaro

A união do bolsonarismo em torno de Flávio Bolsonaro a partir da carta do pai, no entanto, não teve o mesmo apelo. Entre os demais presidenciáveis que buscam o voto do eleitor à direita, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) ironizaram o gesto do filho de recorrer ao pai. As falas de Renan Santos não destoam do que têm dito o pré-candidato do Missão, sempre muito crítico à família Bolsonaro, mas a postura de Caiado chama atenção – ele vinha medindo as palavras sobre Flávio para não incompatibilizar-se com o eleitorado bolsonarismo.

Com a carta, Caiado resumiu:

– Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que tá pronto pra ser presidente. É isso…

Republicanos sinaliza distância

Mas talvez o gesto que mais aponta para o isolamento da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro seja a reação exagerada do Republicanos à nota em que o colunista Lauro Jardim, de O Globo, dizia que o apoio do partido a ele já estava acertado e envolveria a indicação do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, ao STF em um eventual governo do filho do ex-presidente.

Mais do que negar uma nota de bastidores, a nota pública do Republicanos praticamente sepulta a ideia de que os partidos possam estar coligados na disputa presidencial. O texto, publicado nas redes sociais da legenda, informa que em “sondagens iniciais, o presidente Marcos Pereira detectou, preliminarmente, um sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições”. Na nota, é descartado o apoio à reeleição do presidente Lula (PT).

Nessa toada, o Republicanos segue a tendência da federação União Progressista de não apoiar nenhuma candidatura presidencial. Juntos, eles dariam a Flávio Bolsonaro a condição de ter mais da metade do tempo do horário eleitoral gratuito em rádio e televisão, praticamente o dobro da coligação à esquerda que Lula deve confirmar. A ausência deliberada das legendas deve equilibrar esse jogo.

Ou seja, a carta de Bolsonaro teve efeito zero sobre os potenciais partidos aliados – incluindo aqueles que apoiaram a reeleição do ex-presidente, como Republicanos e PP.

Leia a íntegra da carta de Jair Bolsonaro

11 de julho de 2026, Carta aos brasileiros

Saudoso do contato com o povo ao qual devo lealdade. Escrevo num momento de decisão para todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a presidencia, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violencia e do empobrecimento. Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a ´paz e a prosperidade. Uma fetuosos abraço a todos na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade. 


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