top of page

Seria a inteligência artificial o novo Deus?

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura


Existe algo curioso acontecendo: as pessoas já não perguntam para pensar, mas para obedecer. Buscam respostas prontas, não reflexão. Não querem atravessar a dúvida, mas alguém que diga o que fazer, o que escolher e o que sentir.


Antes, essa terceirização ia para Deus, para a fé e a uma autoridade espiritual. Agora, vai para a inteligência artificial.


É como se o céu tivesse descido à terra em forma de algoritmo — onisciente, rápido e sempre disponível.


Você pergunta; ela responde.


Você hesita; ela decide.


Você sente confusão; ela organiza.


O problema não está na ferramenta, mas na relação, nessa fé cega que faz parecer que essa tecnologia está sempre certa e sabe o que é melhor para você.


Quando tudo vira pergunta externa, algo interno atrofia. O discernimento não se desenvolve se é constantemente substituído; a intuição não amadurece se nunca é escutada; a responsabilidade não existe para quem prefere a segurança de “alguém sabe melhor do que eu”.


Em 2023, um culto experimental chamado Way of the Future — fundado por um ex-engenheiro do Google — chamou atenção por propor a criação de uma divindade baseada em inteligência artificial.


A proposta era desenvolver uma tecnologia tão poderosa que se tornasse objeto de adoração, com princípios próprios e “ensinamentos”. Embora tenha sido encerrado oficialmente, tal culto simboliza algo maior: a substituição simbólica da fé pela máquina.


Em outras partes do mundo, iniciativas mais discretas têm crescido.


No Vaticano, já se discute como algoritmos podem ajudar em decisões morais ou em atendimentos pastorais.


Nos Estados Unidos, pesquisadores testaram o uso de IA para simular sessões de confissão — com chatbots capazes de “ouvir” pecados e oferecer respostas baseadas na doutrina católica.


Tudo isso revela uma tendência: estamos transferindo para a inteligência artificial funções antes atribuídas à religião — dar direção, sentido e consolo. A tecnologia torna-se guia, conselheira, juíza.


A IA pode tudo, menos sentir. Ela responde, mas não acolhe. Calcula, mas não compreende a alma humana.


O risco pode não estar em a tecnologia ser poderosa, mas em nós ficarmos fracos. Porque pensar dá trabalho, decidir gera consequência e assumir escolhas exige maturidade.


É muito mais confortável entregar a alguém — ou a algo — a tarefa de dizer o que é certo. Mas, toda vez que você terceiriza o pensamento, terceiriza também a autoria da própria vida.


Deus, para muitos, é menos sobre respostas e mais sobre sentido. A inteligência artificial não oferece significado.


— @Gabi




© Copyright 2016-2026 | Blog do Espeto | Tribuna | Todos os direitos reservados. Desenvolvido por

bottom of page