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Revelação de vínculo de Flávio com Vorcaro chacoalha bolsonaristas

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • 14 de mai.
  • 3 min de leitura

 

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se disseram surpreendidos com a revelação de que senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Flávio confirmou que pediu pedido dinheiro a Vorcaro para fazer um filme sobre seu pai.


Informações reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha mostram que Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o longa-metragem sobre Bolsonaro. Flávio, contudo, procurou o ex-banqueiro pelo menos duas vezes para cobrar mais dinheiro. O total chegaria a R$ 134 milhões, de acordo com documentos obtidos pelo Intercept.

A direita aliada do clã Bolsonaro adotou o discurso de que Flávio buscou dinheiro privado para um projeto privado, sem desvio de dinheiro público, junto com um ataque à Lei Rouanet — política pública criada em 1991 para conceder desoneração de impostos a empresas que patrocinam, publicamente, filmes, shows e outras obras artísticas.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que as explicações apresentadas “são claras, coerentes e objetivas” e que a bancada do partido “permanece unida e confiante no senador Flávio Bolsonaro, certo da lisura de seus atos”. “Os fatos dizem respeito à busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem qualquer utilização de recursos públicos”, escreveu.


Por outro lado, integrantes da ala política da campanha admitiram que o clima foi de tensão A aposta é que novos escândalos relacionados ao Master envolvendo outros políticos podem ajudar a abafar a situação de Flávio.


Outros pré-candidatos à Presidência da direita aproveitaram a denúncia para se desvincular de Flávio Bolsonaro e tentar atrair os votos conservadores. Romeu Zema (Novo) afirmou que o caso era “imperdoável, um tapa na cara”. Renan Santos (Missão) anunciou que seu partido entraria com pedido de cassação pelo Conselho de Ética do Senado e afirmou que “se o Brasil for um país sério, Flávio Bolsonaro e Xandão [o ministro Alexandre de Moraes] vão pra cadeia agora”.

Presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado disse que “a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”.


Na esquerda

A esquerda rapidamente reagiu ao caso e, minutos após a reportagem ir ao ar, perfis de partidos governistas já divulgavam o áudio em que Flávio cobrava o pagamento de Vorcaro. A orientação era replicar e repercutir a reportagem o máximo possível, para vincular o escândalo do Master à oposição.


Aliados e integrantes do governo Lula (PT) pediram investigação e prisão de Flávio. Petistas ponderam, no entanto, que os efeitos do episódio podem não ser duradouros na base eleitoral mais fidelizada ao bolsonarismo e apostam na investigação da Polícia Federal para o caso ter novos desdobramentos e continuar a reverberar.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia de fato criminal ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, à PF e à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a prisão preventiva de Flávio.


“Uma semana após Flávio dizer que Banco Master está ligado ao PT, vaza áudio dele cobrando R$ 134 milhões de Vorcaro. A terra plana não gira, capota”, escreveu o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral). Na Câmara para uma audiência pública, Boulos também pediu a cassação do mandato do senador.

Para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), a investigação deve se concentrar nas mãos da PF para evitar possíveis dispersões de uma CPI, que é defendida por bolsonaristas.


“Ele já vem com o papo de CPI já. Eles querem jogar poeira no olho de todo mundo, vai virar um bate-boca. PF já está investigando, não precisa de CPI”, disse. “Acho que foi batom na cueca para ele. Fica posando de mais honesto que todo mundo, dizendo que nasceu na Bahia [o caso Master], e acaba tomando pau.”


No plenário da Câmara, o líder do governo na Casa, Paulo Pimenta (PT-RS), reforçou o apoio por uma investigação e pediu o bloqueio do valor que Flávio teria recebido como patrocínio.

“Vamos formalizar ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, ao ministro André Mendonça, o imediato bloqueio dos R$ 65 milhões para garantir que esse dinheiro seja ressarcido ao Fundo Garantidor de Crédito, ao FGC. É dinheiro roubado”, declarou.


Com informações de: https://www.bemparana.com.br/

 
 

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