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Quatro meses após mudança de gestão, médicos denunciam atraso de pagamentos no Hospital Bom Jesus

  • Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
    Vilmar Bueno, o ESPETO
  • 24 de jun.
  • 3 min de leitura

A chegada do Instituto Maria Schmitt (IMAS), tinha como objetivo auxiliar na recuperação financeira


RIO NEGRO (PR)A mudança na gestão do Hospital Bom Jesus, em Rio Negro, realizada em março deste ano com a chegada do Instituto Maria Schmitt (IMAS), tinha como objetivo auxiliar na recuperação financeira e na reestruturação dos serviços da unidade hospitalar. No entanto, quatro meses após a transição, médicos que atuam no hospital relatam que continuam enfrentando atrasos no recebimento de honorários profissionais.

A situação motivou uma denúncia formal junto ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), reacendendo o debate sobre a saúde financeira da instituição e expondo divergências entre a mantenedora, a atual administração e os profissionais afetados.

A denúncia foi protocolada com base na Resolução CRM-PR nº 256/2026 e na Resolução CFM nº 2.462/2026, que estabelecem procedimentos para apuração de inadimplência remuneratória envolvendo médicos e preveem medidas administrativas contra instituições responsáveis pelos pagamentos.

Segundo o documento encaminhado ao conselho, profissionais contratados por meio de pessoa jurídica passaram a registrar atrasos ainda no início de 2026. O pagamento referente aos serviços prestados em janeiro não teria sido quitado dentro do prazo previsto em contrato, situação que, conforme a denúncia, se repetiu nos meses seguintes.

O material apresentado ao CRM inclui mensagens encaminhadas aos médicos com cronogramas de pagamento e propostas de parcelamento dos valores pendentes.

Hospital confirma débitos

Procurado pela reportagem, o diretor do Hospital Bom Jesus, Rafael Schroeder, confirmou a existência de pagamentos em atraso aos profissionais médicos.

“Sim”, respondeu ao ser questionado sobre a existência de débitos pendentes.

Segundo ele, não é possível informar com precisão quais competências estão em atraso devido às particularidades dos contratos firmados com cada profissional.

“Com relação às competências é relativo devido aos contratos serem a maioria independente. Não tem como passar com precisão visto a diferença de vencimentos e valores”, afirmou.

Questionado sobre o montante total da dívida, Schroeder informou que os números já foram apresentados à associação mantenedora, mas que não possui autorização para divulgá-los publicamente.

“Esses valores foram repassados à associação, não tenho autorização para divulgação dos mesmos”, declarou.

O diretor também informou que a administração ainda não foi oficialmente notificada sobre a denúncia apresentada ao CRM.

“Estamos aguardando ser oficiado, pois não temos conhecimento de quem está movendo a ação”, disse.

Dívidas anteriores e busca por recuperação

De acordo com Schroeder, a atual gestão assumiu o hospital em meio a um cenário financeiro delicado, já marcado por cobranças judiciais e passivos acumulados.

“Cabe relembrar que desde que o IMAS assumiu, já existiam ações de cobrança em curso”, afirmou.

O diretor atribui as dificuldades financeiras à redução dos atendimentos e à perda de receitas nos últimos anos.


“Não é de hoje que todos sabem a situação financeira que o hospital se encontra há algum tempo, com dívidas e processos”, acrescentou.

Entre os fatores apontados pela administração está o encerramento de convênios com o município.


“Desde que foi cancelado o convênio da Prefeitura o hospital passa por dificuldades, e com o baixo número de atendimentos que vinha realizando, acabou que os recursos de outras esferas também foram diminuindo. Se não tem paciente, não tem recurso”, explicou.

Segundo ele, a recuperação financeira depende agora da habilitação de novos serviços e da celebração de contratos com outras esferas governamentais.


“Estamos aguardando sair o novo CNES do hospital para fechar novos contratos com o Estado e União. Estamos em busca de credenciamento para diversos programas disponíveis tanto estadual quanto federal”, afirmou.


Ainda conforme o diretor, desde o início da gestão do IMAS foram investidos R$ 1.123.518,03 para garantir a continuidade das atividades da unidade.

“Primeiro você atende, mostra que tem capacidade, depois recebe. Então é isso que iremos fazer”, completou.

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