Depois de entregar o Brasil para Trump, Flávio Bolsonaro muda discurso e pedirá fim do tarifaço em audiência nos EUA
- Vilmar Bueno, o ESPETO

- há 4 dias
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No segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a respeito de um novo tarifaço contra o Brasil, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pretende mudar o discurso da carta enviada ao governo de Donald Trump, em que sugeria a suspensão das taxas, para pedir o fim das medidas e defender o Pix. A avaliação de aliados do senador é de que o documento repercutiu mal e o senador precisa se posicionar como contrário à taxação. A manifestação de Flávio terá 5 minutos e está prevista para as 10h da manhã de hoje no horário local. Ele pretende afirmar que a imposição da tarifa prejudicaria exportadores e consumidores brasileiros e poderia produzir efeitos políticos contrários aos pretendidos por Washington, ao fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Globo)
Já o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo desistiu de participar presencialmente da audiência promovida pelo USTR. A decisão foi anunciada após a repercussão de declarações em que Figueiredo criticou Michelle Bolsonaro (PL) e afirmou que mulheres “votam muito mal”. As falas levaram Flávio Bolsonaro a tentar se distanciar publicamente do influenciador. (UOL)
No primeiro dia da audiência pública, enviados de empresas e entidades empresariais brasileiras e americanas defenderam a suspensão da proposta do governo de Donald Trump de impor uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Representantes dos setores de arroz, gelatina, sementes, cera de carnaúba e agropecuária argumentaram que a medida elevaria custos para consumidores americanos, encareceria alimentos, medicamentos e insumos agrícolas e provocaria impactos negativos nas cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos. Parte das entidades americanas, no entanto, defendeu a manutenção ou até o endurecimento da proposta. O principal foco foi o mercado de etanol. (Folha)
A Confederação Nacional da Indústria estima que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos poderão ser atingidos caso o governo de Donald Trump adote o tarifaço. Segundo a CNI, itens potencialmente afetados representam US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano. (g1)
O governo brasileiro, por sua vez, decidiu enviar observadores às audiências promovidas pelo (USTR). Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil será representado apenas por integrantes da Embaixada em Washington, já que, na avaliação do governo, a audiência pública não constitui um canal de negociação entre os dois países. As tratativas oficiais seguem sendo conduzidas por vias diplomáticas. (Valor)
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no entanto, encaminhou ao USTR uma carta contestando o novo tarifaço. O documento sustenta que a medida não encontra respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil durante a investigação conduzida pelo órgão americano. O Itamaraty classificou as conclusões da investigação como “errôneas” e “arbitrárias”, afirmando que o relatório desconsiderou informações sobre a legislação brasileira e as ações de fiscalização adotadas para combater o trabalho análogo à escravidão. (g1)



