Cotidiano: Nunca fomos tão inseguros e, simultaneamente, tão arrogantes
- Vilmar Bueno, o ESPETO
- há 24 horas
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Quando foi que decidimos parar de ser humildes? Hoje, existe uma necessidade quase desesperada de provar: provar que sabemos, entendemos, estamos certos e temos opinião formada sobre tudo.
A arrogância não surge como excesso de confiança, mas como uma forma de proteção. Quanto mais frágil alguém se sente por dentro, mais firme precisa parecer por fora — e as redes sociais amplificaram isso.
Todo mundo virou especialista.
Todo mundo tem uma tese, um posicionamento ou uma verdade inegociável.
Pouca escuta, pouca dúvida e pouca curiosidade. Opiniões são defendidas com agressividade, mas sem base, profundidade ou real disposição para aprender.
O problema é que quem está seguro não precisa convencer, gritar, vencer uma discussão ou humilhar o outro para se sentir válido.
A arrogância é um sintoma clássico de insegurança: ela nasce do medo de parecer pequeno, errado e insuficiente. Assim, a pessoa se agarra à própria opinião como quem se apega a uma identidade.
Em algum momento, a gente pode ter aprendido que admitir dúvida enfraquece; que mudar de ideia sinaliza instabilidade; e que dizer “não sei” é inaceitável. Perdemos aí algo essencial: a humildade.
Quando deixamos de ser humildes, também deixamos de crescer. Quem precisa se provar o tempo todo não escuta. Quem precisa parecer forte não se permite rever. Talvez amadurecer seja justamente o contrário do que vendem hoje:
Menor necessidade de provar;
Menos urgência em estar certo;
Mais disposição para aprender.
Afinal, a verdadeira segurança não se expressa em arrogância; ela se revela no silêncio, na curiosidade e abertura.
— @Gabi
