Ciranda Política Nacional
- Vilmar Bueno, o ESPETO

- há 3 horas
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Uma operação da Polícia Federal na manhã de quinta-feira em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas, pode anular a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Masters. Segundo a PF, há indícios de que o senador teria recebido do banqueiro repasses mensais que variariam de R$ 300 mil a R$ 500 mil por meio de Felipe Vorcaro, primo de Daniel e preso na ação de ontem. A investigação apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF diz ainda que a equipe do Master elaborou uma emenda legislativa apresentada por Nogueira que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que beneficiaria diretamente o Master. Em nota, a defesa do senador negou irregularidades. (Folha)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, já indicou a interlocutores que não deve homologar, nos moldes atuais, a proposta de delação premiada de Vorcaro. A avaliação é de que o material apresentado contém omissões e tentativas de preservar aliados, o que comprometeria a validade do acordo. Nos bastidores, a leitura é de que as investigações já conduzidas pela PF avançaram o suficiente para sustentar apurações sem depender das informações do ex-banqueiro. Mendonça já havia advertido a defesa de Vorcaro sobre as lacunas na delação, apresentada na quarta-feira. O ministro cobrou especificamente detalhes sobre a relação do ex-banqueiro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). (Folha)
Aliás, como conta Malu Gaspar, Alcolumbre teria reclamado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva das investigações da PF contra ele, especialmente no caso do Master. O fundo de previdência dos servidores do Amapá, comandado por um aliado do senador, investiu R$ 400 milhões em títulos de alto risco do Master. Nas semanas seguintes à conversa, Alcolumbre trabalhou para barrar a indicação por Lula de Jorge Messias ao STF e derrubar o veto à Lei da Dosimetria. Para a PF, a delação de Vorcaro é seletiva e busca blindar autoridades, como o próprio Alcolumbre e ministros do STF. (Globo)
A gorda mesada de Vorcaro não era o único agrado oferecido pelo ex-banqueiro a Ciro Nogueira. Vorcaro também bancou despesas do senador em viagens internacionais, incluindo hospedagem no hotel Park Hyatt, em Nova York, cujas diárias podem superar R$ 130 mil. Segundo a PF, incluem também gastos em restaurantes de alto padrão, uso de cartão para despesas pessoais e outros benefícios. (g1)
E a PF já encaminhou ao ministro André Mendonça um pedido para que Vorcaro seja transferido da Superintendência da PF, em Brasília, de volta ao sistema penitenciário federal, onde já esteve preso. Vorcaro havia sido levado para a sede da PF com o objetivo de facilitar negociações de um possível acordo de delação premiada. (Metrópoles)
Em Washington, o presidente Lula procurou se esquivar de perguntas sobre a ação da PF contra Ciro Nogueira, dizendo ser difícil fazer comentários longe do Brasil. “Há uma decisão do ministro André Mendonça para que houvesse a operação, e ela foi feita. Espero que todos os investigados sejam inocentes”, afirmou. (Globo)
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “graves” as informações reveladas pela operação da Polícia Federal, sem citar nominalmente o senador Ciro Nogueira, ex-ministro e um dos principais aliados de seu pai, Jair Bolsonaro. Aliados do senador fluminense admitem que o desgaste para campanha pode ser grande, já que Nogueira chegou a ser cotado para o posto de vice na chapa de Flávio. O vice ainda não havia sido escolhido exatamente pelo temor do envolvimento de aliados no caso Master, que pode atingir também o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. (Folha)
Raquel Landim: “Políticos à esquerda e à direita acreditam que a PF apenas começou a puxar o fio das relações entre Vorcaro e os partidos do Centrão. A ação contra Nogueira também cai como uma bomba na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, e o PT já resgatou das redes sociais um vídeo de Flávio citando Ciro como um possível vice.” (Estadão)




