Ciranda Política Nacional


Investigado pela PF, Flávio Bolsonaro foge para os EUA
Foto: Mauro Pimentel / AFP
Menos de 48 horas após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) fugiu do Brasil em direção aos Estados Unidos. A imigração argentina confirmou que o político brasileiro entrou no país com a esposa e as duas filhas na noite desta quarta-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu. De lá, embarcou em um avião particular para Miami, com escala no Equador. A chegada à Flórida está prevista paras as 10h30, horário de Brasília. Autoridades em Washington informaram que os Estados Unidos dariam autorização para que Flávio entrasse no país com a família e que o Departamento de Estado emitiria vistos de permanência. O irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que defendeu sua fuga em caso de derrota nas eleições, vive atualmente no Texas. A saída de Flávio do Brasil ainda é cercada de mistérios. Aliados do presidente americano Donald Trump afirmam que a operação foi planejada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Nesta terça-feira, Trump voltou a afirmar, sem provas, que as eleições no Brasil foram fraudadas. Na Argentina, parlamentares de oposição querem investigar a passagem de Flávio pelo país. (g1 e Metrópoles)
A Polícia Federal está cumprindo nesta manhã mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Flávio Bolsonaro no Brasil. No domingo, logo após a eleição, a PF alertou o ministro do STF Alexandre de Moraes sobre um “risco concreto de evasão do território nacional” pelo senador Flávio Bolsonaro e pediu a apreensão dos passaportes do senador para impedir sua saída do país. Moraes acolheu a solicitação e determinou o cancelamento dos documentos brasileiros, além da entrega de eventuais passaportes estrangeiros. (g1 e Folha)

A fuga de Flávio Bolsonaro foi planejada semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, quando o candidato do PL aparecia à frente nas pesquisas de intenção de voto. Segundo Bela Megale, Eduardo Bolsonaro e o ex-apresentador de TV Paulo Figueiredo foram os articuladores do plano com o governo dos EUA. (Globo)
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou que foi surpreendido pelas notícias de que o aliado teria deixado o Brasil. Segundo Marinho, a expectativa era que Flávio assumisse a liderança da oposição ao governo petista, apoiado nos quase 60 milhões de votos recebidos no segundo turno. O coordenador da campanha disse que não foi informado sobre qualquer viagem e que tentou entrar em contato com Flávio depois de ser procurado pela imprensa. (Globo)
Há um temor no Planalto de que, dos EUA, Flávio Bolsonaro insufle um movimento como o de 8 de janeiro de 2023, conta Vera Rosa. Já na oposição, pega de surpresa pela fuga, a preocupação é decidir quem comandará a direita no quarto governo Lula. Os senadores eleitos do PL Michelle (DF) e Carlos Bolsonaro (PR), que não se falam, estão no páreo. E o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entrou com força na disputa com um vídeo em que reconhece a vitória de Lula, agradece a Flávio e prega a união da direita. (Estadão)
Lula criticou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais. Durante uma comemoração de seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que o senador desrespeitou seus eleitores e a democracia ao deixar o país. Lula comparou a atitude de Flávio à sua própria trajetória política. Lembrou que permaneceu no Brasil após as derrotas para Fernando Collor, em 1989, e Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Disse ainda que recusou convites para deixar o país durante as investigações da Operação Lava Jato porque pretendia provar sua inocência. (CNN Brasil)
E o ministro do STF Flávio Dino determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições presidenciais brasileiras. A decisão aponta indícios de que algoritmos de redes sociais possam ter sido utilizados para beneficiar Flávio Bolsonaro e prejudicar o presidente Lula. A investigação deverá apurar a atuação da Meta, responsável pelo WhatsApp, Facebook e Instagram, e do X, plataforma controlada pelo bilionário Elon Musk. Dino também apontou suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro. (UOL)
Flávia Tavares: “Com a deserção, o caminho está livre para novos líderes. Sai na frente um Tarcísio de Freitas reeleito com folga governador de São Paulo, que não traiu o bolsonarismo mas se manteve discreto o bastante para, com o tempo, se vender como uma evolução do movimento. Oportunista, aproveitou a confusão da fuga pra finalmente, depois de dois dias, reconhecer o resultado das urnas. Até Valdemar Costa Neto já tinha feito isso no dia anterior”. A análise no Cá entre Nós. (Meio)
A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à Presidência do Senado. A decisão foi formalizada em nota assinada pelos dirigentes Antonio Rueda e Ciro Nogueira. No comunicado, os partidos afirmam que a permanência de Alcolumbre no comando do Senado é importante para garantir a estabilidade institucional, a independência do Legislativo e o equilíbrio entre os Poderes. O movimento representa uma mudança no posicionamento de partidos do centrão após o resultado das eleições presidenciais. Alcolumbre vem ampliando sua articulação com legendas de centro e com o PT, que também deve anunciar apoio à sua recondução. (CNN Brasil)
O governo, aliás, quer manter os partidos do Centrão na administração federal. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o Planalto pretende negociar a participação dessas legendas, mas exigirá compromisso efetivo com a aprovação das propostas do Executivo no Congresso Nacional. O ministro afirmou que a formação da nova base parlamentar deverá combinar alianças políticas com maior fidelidade ao governo. (g1)
O presidente Lula já avalia nomes para comandar o Ministério da Segurança Pública, cuja criação foi prometida durante a campanha eleitoral e depende de aprovação de uma PEC. Entre os possíveis indicados, o mais cotado é o promotor Lincoln Gakiya, conhecido por sua atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Gakiya já participou de um jantar com um integrante da campanha de Lula. Sua experiência no combate ao crime organizado e o reconhecimento conquistado na área de segurança pública são considerados pontos favoráveis a uma eventual indicação. O promotor, que integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, afirmou que ainda não recebeu convite. (Folha)




