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Ciranda Política

Foto do escritor: Vilmar Bueno, o ESPETO
Vilmar Bueno, o ESPETO
há 6 minutos
4 min de leitura
Jorginho: “Eu sabia que a Júlia Zanatta ia ser a mais votada, mas não que ia fazer mais votos que o MDB”

Governador reeleito concedeu entrevista a Upiara Boschi, Sol Urrutia e Maga Stopassoli na Casa d'Agronômica

A vitória de Jorginho Mello (PL) e do bolsonarismo no Governo e na Assembleia Legislativa desempregou políticos da direita tradicional em Santa Catarina. Um dia após ser reeleito governador de Santa Catarina com maioria de 68,98% dos votos no primeiro turno, Jorginho foi entrevistado no programa Sabatina Apartidária, onde afirmou que juntar partidos em uma coligação não significa juntar votos.


O governador mencionou a eleição passada, de 2022, em que se elegeu governador do Estado apenas com o PL. Ele afirma que, após vencer “sozinho” no que diz respeito ao apoio dos partidos, nesta eleição, as siglas perdem ainda mais força.

O adversário de Jorginho, João Rodrigues (PSD), reuniu o apoio de sete ex-governadores do Estado para a própria campanha para chefia do Executivo: Carlos Moisés (2019-2023), Eduardo Pinho Moreira (2006–2007/2018–2019), Raimundo Colombo (2011-2018), Leonel Pavan (2010-2011), Esperidião Amin (1983–1987/1999–2003), Paulo Afonso (1995–1999) e Jorge Bornhausen (1979–1982).Mesmo com a força-tarefa formada pelos principais nomes da direita catarinense, Rodrigues acabou em terceiro lugar com 13,35% dos votos, atrás de Gelson Merísio (PSB), nome da esquerda que ficou em segundo lugar com 5,66% dos votos. Diante da derrota de Rodrigues, Jorginho Mello comentou sobre a perda de relevância das siglas nas últimas eleições:

— Eles subestimaram a minha capacidade de trabalho. […] Eu fiz obras que eles não fizeram e eles não souberam e não souberam ou não quiseram enxergar. Achavam que ainda uma junção de partidos resolve eleição. Você junta partido, mas não junta voto — disse o governador reeleito.

Enquanto comícios radicalizam convertidos, campanha eleitoral acontece na palma da mão

A eleição em Santa Catarina consolidou candidatos do PL, especialmente com a bancada feminina, formada por nomes como Carol de Toni, Júlia Zanatta e Ana Campagnolo, que se elegeram com votações históricas para o Senado, Congresso e Assembleia Legislativa, respectivamente.

— Eu sabia que a Julia ia ser a mais votada, mas não que fosse fazer mais votos do que o próprio MDB, foi uma votação estupenda. Então, veja como a gente valoriza e gosta das mulheres em Santa Catarina.

Ao passo que nomes mostraram força com a reeleição e eleição para diferentes cargos, políticos de carreira como Esperidião Amin (PP), Valdir Cobalchini (MDB), Jorge Goetten (Republicanos), Jair Miotto (PL) e Ivan Naatz (PL) ficaram fora do páreo.

O movimento foi avaliado pelo governador reeleito, que julgou os debates realizados pouco produtivos para a campanha eleitoral e disse que a conquista do eleitor acontece por meio das redes sociais.

— A gente precisa inovar, a gente precisa que o eleitor está cada vez mais exigente. Hoje muitas vezes o comício é para falar para os convertidos […] o eleitor tá com a informação na palma da mão, é muito mais versátil e ágil. Então, o partido que não se reciclar com cabeças novas, sintonizar com o eleitor, se conectar, vai deixando de ter aquele voto de cabresto. ‘Porque o cara é do partido’, os partidos estão perdendo muita muita força. Eu sempre brinco: se partido fosse bom era inteiro.

Prioridade para presidência da Alesc e nomeações será do PL e coligação: “Governo não é agência de emprego”

O chefe do executivo afirma que está satisfeito com o colegiado atual, que cumpre sua regra mais básica: nunca desligar o telefone. No entanto, ele não descarta novas adições. Diante do número de apoiadores de Jorginho Mello que ficaram no banco de suplente, o governador reeleito ainda não tem novos nomes para o secretariado do Governo. 

— Cada caso é um caso. O governo não é uma agência de emprego. Eu não loteei o governo e não tenho promessa com ninguém. Eu montei um governo no primeiro dia, porque ganhei a outra eleição sozinho, todos os partidos fugiram e não quiseram coligar.

Neste ano, Jorginho Mello concorreu com a coligação “Fé no trabalho e pé na tábua”, composta pelos partidos PL, Novo, Republicanos, Podemos, Avante, Agir, DC e a federação PSDB/Cidadania.

A partir do ano que vem, 11 siglas vão ocupar o plenário catarinense. A vitória de 16 parlamentares do PL deu ao partido a maior bancada da Alesc a partir de 2027, dois a mais que neste mandato. O PT elegeu cinco deputados estaduais e aumentou uma cadeira na Assembleia, seguido pelo MDB, com quatro deputados, dois a menos que a atual bancada.

Dois partidos elegeram três representantes: PSD, que perdeu uma cadeira, e Republicanos, que hoje tem dois deputados. Podemos, União Brasil e PP elegeram dois parlamentares cada. E três partidos elegeram um deputado, cada, para a Alesc: PDT, Novo e Psol. O PSDB deixa de ter bancada no parlamento estadual.

Nesse contexto, o governador acredita que os candidatos do PL naturalmente tentarão a presidência da Assembleia Legislativa. Sem favorito para o cargo, Jorginho Mello pretende chamar os eleitos do próprio partido para conversar e, em seguida, os parlamentares da coligação.

— Evidentemente, com uma bancada de 16 deputados, é natural que tenha desejo de ser presidente do parlamento. Não tenha dúvida disso. […] A gente precisa sentar, vou fazer os deveres de casa direitinho, primeiro com o PL, depois vamos chamar os da nossa coligação que venceram as eleições, para entender qual o desejo: se é mandato inteiro ou se dá para dividir mandato.


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